Recém-formada em Assistência Social pela Faculdade da Amazônia (Fama), em Vilhena, a ex-recepcionista Dulcinéia Araújo de Melo foi convidada por uma amiga a assumir um cargo na Prefeitura de Marcelândia, pequeno município de 15 mil habitantes fincado no Norte de Mato Grosso.
Uma semana após desembarcar, no início do mês de julho, a vilhenense, como toda a cidade, foi surpreendida por um incêndio devastador, que consumiu casas e empresas locais. Iniciado num lixão nos arredores da cidade, o incêndio se alastrou rapidamente e deixou muitas famílias apenas com a roupa do corpo. Madeireiras perderam os estoques e máquinas foram tragadas pelas chamas. Apesar da intensidade das labaredas, não houve vítimas fatais. Entretanto, o único hospital da cidade ficou lotado de pessoas intoxicadas pela fumaça.
Néia, que havia sido contratada para lidar com problemas corriqueiros, como processos do Conselho Tutelar e casos de violência doméstica, está sendo obrigada a encarar jornadas diárias de até 12 horas. Como única assistente social da cidade e da região, ela cuida da distribuição de remédios, roupas e alimentos às famílias atingidas pelo sinistro.
Casada com o publicitário vilhenense Walter Pereira, da Rondomarketing, a assistente não se queixa do caos que enfrenta todos os dias. Segundo ela, o trabalho, apesar de bastante cansativo, lhe permite colocar em prática as lições aprendidas na faculdade recém-concluída