“A anta enxerga muito mal, e deve ter avançado contra a primeira coisa que viu ao ser acuada por cachorros”
Nascida em Vilhena, a bióloga Larissa Araújo Goebel, 25, foi entrevistada por telefone ontem, e comentou o ataque de uma anta a uma professora na área rural de Vilhena. A educadora continua internada no Hospital Regional de Vilhena, e o caso dela, noticiado em primeira mão pelo FOLHA DO SUL ON LINE, ganhou destaque em todo o Estado (LEMBRE AQUI).
Formada em Biologia pela Facimed, em Cacoal, no ano de 2015, Larissa escolheu como tema de seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) justamente o comportamento das antas. Ela estudou os hábitos do animal em uma fazenda próxima a Vilhena. O mamífero, apesar da devastação ambiental, é visto com certa frequência no Cone Sul, mas vem se tornando raro em outras regiões do Estado.
Residindo atualmente em Cáceres (MT), onde fez mestrado e agora se dedica ao doutorado na área, Larissa passou três anos estudando outras espécies de mamíferos em áreas de floresta entre as cidades de Ji-Paraná e Jaru. Ela gravou vários vídeos de animais na natureza, e enviou alguns, que mostram antas, para a redação do site.
A bióloga explica que a anta é realmente um animal dócil, e há poucos registros de ataques delas contra pessoas. Sua alimentação se resume a plantas e frutos, tanto que é conhecida como “jardineira da floresta”, pois as sementes que saem em suas fezes ajudam a espalhar novas árvores frutíferas.
Larissa diz que, a anta é uma espécie extremamente importante na dispersão de sementes, já que consome uma grande variedade de frutas. Ao passar pelo seu estômago, ocorre a quebra da dormência das sementes, garantindo uma altíssima taxa de germinação. Por isso, a preocupação de preservacionistas em proteger a espécie, pois se ela entrar em extinção, haverá o mesmo efeito sobre várias árvores.
A explicação da bióloga para o violento ataque contra a professora é a seguinte: “a anta enxerga muito mal, e deve ter avançado contra a primeira coisa que viu ao ser acuada por cachorros. Ela também poderia estar muito estressada por estar quase parindo”.
De hábitos aquáticos, a anta tem uma gestação longa, de 13 meses, e quase sempre tem um único filhote, ao qual protege, inclusive com violência, até mais ou menos os dois anos de vida. Nas imagens captadas pelas câmeras instaladas na natureza, enviadas por Larissa, um filhotinho com as listras brancas no corpo (“para disfarçar”, segundo a entrevistada) aparece no meio da mata.
CLIQUE ABAIXO e assista os vídeos, condensados em um só pelo site.
Vídeo
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 21 de Julho de 2023, às 08:25