A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira, 4, pelo menos 23 pessoas acusadas de integrar uma quadrilha especializada em tráfico de medicamentos emagrecedores no Brasil e no exterior. A Operação F-40 foi deflagrada para combater a comercialização ilícita de medicamentos que contêm substâncias psicotrópicas anorexígenas (que tiram o apetite) e de uso controlado.

 JOVENS QUE VÃO A ACADEMIAS USAM SUPLEMENTO ALIMENTAR SEM CONTROLE - A Justiça Federal expediu 25 mandados de prisão temporária e até a tarde apenas dois não haviam sido cumpridos, entre eles uma ordem de prisão contra uma brasileira residente em Portugal, apontada como responsável por distribuir o medicamento ilegal na Europa. Os nomes dos presos não foram divulgados. 

 Segundo a PF, o grupo concentrava sua atuação na região do Vale do Aço mineiro, principalmente nas cidades de Coronel Fabriciano e Ipatinga, onde foram presos três proprietários de farmácias de manipulação. As farmácias utilizavam uma substância psicotrópica anorexígena conhecida por femproporex, utilizada como inibidor de apetite e capaz de causar dependência física ou psicológica.

 A manipulação e a comercialização da substância dependem de autorização especial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 De acordo com o delegado Felipe Koch Torres Baeta, as farmácias falsificavam rótulos, receitas médicas e notas fiscais para a fabricação do medicamento. \\\"As empresas revendiam a intermediários, que efetuavam a distribuição desses medicamentos nas regiões de Ipatinga e Belo Horizonte, em outros Estados e no exterior, principalmente para Portugal e os Estados Unidos\\\", observou.

Foram presos também \\\"distribuidores\\\" no Vale do Aço, além de um despachante na capital mineira e um médico em São Paulo, suspeito de fazer a distribuição na capital paulista. As investigações tiveram início em agosto do ano passado, após a Receita Federal fazer dezenas de apreensões do produto ilegal em São Paulo.

 A PF acredita que a quadrilha atuava há cerca de dez anos e estima que eram comercializados irregularmente cerca de 40 mil comprimidos por mês no Brasil e no exterior. 

 No território nacional, dois potes com 30 comprimidos (de femproporex e florescetina) cada eram vendidos por aproximadamente R$ 100; US$ 100 nos EUA e 50 euros em Portugal. Os trabalhos da PF contaram com o auxílio do Departamento Antidrogas dos Estados Unidos, o DEA (Droug Enforcement Administration).

 Em maio, conforme a PF, os policiais americanos prenderam uma brasileira residente naquele país e fecharam uma \\\"verdadeira farmácia clandestina\\\" que ela mantinha em sua casa. 

No último dia 17, a PF prendeu em flagrante no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins (MG), um brasileiro residente em Portugal que tentava embarcar com cerca de três mil comprimidos na bagagem.

COLORADO DO OESTE - Os agentes federais também cumpriram 33 mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte e outros três municípios mineiros e nas cidades de São Paulo e Colorado do Oeste, em Rondônia. Segundo a PF, foram apreendidos veículos, inúmeras receitas em branco com a assinatura e carimbo de médicos e uma grande quantidade de comprimidos. 

 \\\"Na região do Vale do Aço há uma febre de consumo e fabricação desses medicamentos\\\", observou o delegado, destacando que muitos usuários adquiriam os produtos para saciar a dependência e não com fins de emagrecimento. Conforme Baeta, uma das pessoas presas temporariamente já responde na Justiça por homicídio, pela morte de um consumidor do medicamento em Contagem (MG), em 2007.

A operação foi batizada de F-40 porque o femproporex é normalmente utilizado na concentração de 40 miligramas. Os suspeitos presos irão responder pelos crimes de trafico de drogas, associação ao tráfico, falsificação e uso de documentos falsos. Eles foram levados para a sede da PF na capital mineira, onde seriam ouvidos e depois encaminhados para a Penitenciária Nelson Hungria.

Conforme Baeta, \\\"a natureza do trabalho\\\" do grupo era \\\"basicamente a mesma\\\" da quadrilha do medicamento Emagrece Sim, mas não há \\\"ligação nenhuma\\\" entre eles.  No ano passado a Justiça Federal em Belo Horizonte recebeu denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra onze pessoas, acusadas de articulação para a produção irregular e o tráfico internacional de medicamentos.

 Conforme a acusação formal, os réus criaram a fórmula de um produto que anunciavam como fitoterápico, mas na realidade era composto por substâncias psicotrópicas causadoras de dependência física e psíquica. No mercado internacional, o medicamento era vendido com o nome de Emagrece Sim. No Brasil, recebia o nome de Herbathin.

 

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