Queda de braço na Saúde motivou reunião recente em Vilhena
 
Uma reunião realizada na semana passada, com a presença de autoridades municipais e estaduais de Saúde, promotor de justiça e vereadores, discutiu o que fazer sobre a eventual substituição da Santa Casa de Chavantes, Organização Social que atualmente comanda o Hospital Regional, a UPA e o Instituto do Rim, em Vilhena (ENTENDA AQUI).
 
O FOLHA DO SUL ON LINE foi atrás de informações sobre a polêmica e apurou que o maior hospital público do Cone Sul de Rondônia foi “devolvido” ao Governo do Estado no final do ano passado. Embora tenha assumido as despesas e o controle, o Estado manteve a Santa Casa na gestão da unidade através da renovação, a cada seis meses, do contrato de gestão existente entre a organização social e o município de Vilhena.
 
Através deste acordo com o município de Vilhena, o governo estadual se comprometeu inicialmente a repassar parcelas mensais de R$ 6,5 milhões, que depois subiram para R$ 7 milhões. Há relatos (e foi isso que motivou a reunião recente) de que os repasses estão em atraso, o que dificulta o trabalho terceirizado.
 
O HRV dispõe de 224 leitos enfermaria, mais 20 de UTI para adultos e 9 neonatal. Os R$ 7 milhões gastos por mês na unidade parecem uma transação vantajosa se comparada com o hospital da cidade de Guarajá-Mirim, também assumido pela gestão estadual.
 
A unidade de saúde no município que fica na fronteira com a Bolívia, tem 84 leitos e não dispõe de UTI. Mesmo assim, segundo dados obtidos pela reportagem, são gastos R$ 7,5 milhões mensais naquele estabelecimento público.
 
QUANDO COMEÇOU?
As discussões para que o hospital vilhenense fosse repassado ao poder público estadual começaram em meados do ano passado. Desde então, equipes da Sesau estiveram várias vezes na cidade e chegaram a contratar uma consultoria para acompanhar e formatar a transição de gestão.
 
No final do ano passado, o contrato provisório foi assinado em definitivo, mas o governo estadual teria pedido que a OS fosse mantida na gestão do HRV para evitar qualquer contratempo no atendimento. Esse pedido foi repetido e, em dezembro do ano passado, o contrato da Chavantes foi renovado até o mês que vem (junho).
 
QUEM ENTRA?
Apesar da suposta intenção do Estado, que estaria preparando a substituição da Chavantes por outra entidade ou até mesmo através de execução direta por servidores públicos estaduais, a troca esbarra em um detalhe técnico: para fazer a mudança sem um demorado processo licitatório, é preciso comprovar uma situação de emergência na saúde de Vilhena.
 
Para se ter uma ideia do desafio, o atual prefeito de Vilhena, Delegado Flori (Podemos), que contratou a Chavantes, só pode adotar a medida sem concorrência pública porque constatou (e decretou) emergência no segmento. Mesmo assim, está respondendo inquérito na Polícia Federal por ter adotado a ação, com a acusação de que teria “fabricado” um estado de emergência inexistente na saúde local.
 
Ouvido, o prefeito de Vilhena disse que “em primeiríssimo lugar, a nossa preocupação é com o atendimento”. Segundo o líder vilhenense, “o modelo de organização social e a Santa Casa conhecem o hospital e estão tocando os serviços com dignidade; não podemos retroceder nessa questão e admitir que o atendimento volte a ser a tragédia que era antigamente”.