O sitiante José Vilson da Silva Gomes,de 36 anos, já tentou de tudo na vida. Formado em Matemática, divorciado e pai de dois filhos, Zé Vilson, como é conhecido, já foi professor de escola pública por 14 anos. Mas resolveu abandonar a sala de aula por não se identificar com o “trampo” da educação.
Também já tentou ser vereador. Candidatou-se pelo Partido dos Trabalhadores (PT) nas últimas eleições, mas só conseguiu 19 votos. Desiludido da política, ele voltou a viver sozinho num sítio de 35 hectares herdado do pai a 5 km de Corumbiara.
Agora, Zé Vilson diz que está “rodado” e que vai tentar outra alternativa. Ao ouvir conversas de alguns engenheiros florestais e pela leitura de algumas revistas, o agora sitiante acredita que a venda de créditos de carbono será, num futuro breve, um meio de vida do homem do campo que escolher conservar a área de terra que possui.
“Já estou pesquisando a respeito. Eu ouvi dizer que há uma lei elaborada pelo Protocolo de Kyoto que obriga algumas empresas a comprar crédito de carbono”, afirma o pequeno produtor.
O sitiante se refere a uma política ambiental em que algumas grandes empresas podem comprar o “direito” de emitir gases de dióxido de carbono na atmosfera. Para adquirir tal direito, a firma, geralmente multinacional, teria que comprar “crédito” de quem também teria o mesmo direito, mas não emitiu – ou seja, uma pessoa que tenha uma área verde.
Apesar da explicação lógica, não parece ser fácil achar uma empresa que queira comprar os tais créditos. “Já pesquisei na internet, conversei com engenheiros, amigos, tudo... Não encontrei nada”, reclama Zé Vilson. E arrisca uma pergunta: “Será que alguém por aí sabe me informar?”.
Autor:
Rildo Costa
Fonte:
FS
Publicado em 20 de Novembro de 2012, às 12:50