A Polícia Federal foi acionada na noite de ontem para investigar uma suposta ameaça de morte feita pelo cardiologista Luís Carlos Hassegawa contra o neurologista Sérgio Belém. Os dois médicos são inimigos antigos e por pouco não se enfrentaram dentro do Hospital Regional. Tudo porque o primeiro teria colocado o outro à disposição, sob alegação de ele não atuava satisfatoriamente.
Ao pedir ao prefeito Zé Rover (PP) que mantivesse Belém fora do HR, Hassegawa ouviu como argumento a alegação do procurador de justiça da prefeitura, Carlos Eduardo Ferreira, de que o município poderia sofrer processo na Justiça, uma vez que o neurologista é concursado para atuar na unidade de saúde.
Irritado, o cardiologista se alterou e explicou que Belém jamais foi à UTI implantada no HR há mais de um mês para fazer a avaliação dos pacientes. “Sua forma de trabalhar não era compatível com aquilo que estávamos implantando no hospital”. critica Hassegawa, que ontem foi exonerado do cargo da coordenador da unidade e da Diretoria Técnica do HR.
Após o desabafo, o médico começou a procurar o desafeto dentro do estabelecimento, já que ele havia ido até lá para resolver a situação. Quando os agentes da Polícia Federal chegaram ao hospital, o cardiologista estava numa lanchonete em frente à unidade. Em conversa com os policiais, ele desmentiu que tivesse intenção de matar o colega, mas confirmou suas divergências em relação a ele.
COMO FICA? – Atualmente, sete pacientes estão internados na UTI. Como não existe um coordenador especializado, a unidade está funcionando precariamente. Um grupo de médicos prometeu ao prefeito Zé Rover agilizar a contratação de um intensivista em Cuiabá (MT) para suprir a vaga deixada por Hassegawa. Até que o profissional seja contratado, a UTI está irregular, o que significa que a morte de qualquer paciente pode resultar em processo judicial contra a Prefeitura.