Floresta dá lugar a propriedades rurais: passagem do tempo mostra mudanças nas últimas quatro décadas
 
A música sombria e as rápidas imagens em sucessão no vídeo expõem uma verdade inconveniente, como diria Al Gore: a vegetação primária no entorno de Rolim de Moura praticamente sumiu. Publicado na página internacional Daily Overview, a montagem ganhou quase 10 milhões de visualizações no último mês e mostra imagens feitas por satélite de 1986 até 2020 que capturam a cidade e seus entornos.
 
Repercutindo na esfera digital, a publicação atraiu 9,2 milhões de visualizações. Foi o maior alcance das últimas 42 postagens do perfil, que tem 1,4 milhão de seguidores. A legenda adicionada ao vídeo é tão seca e direta quanto os 8 segundos do material: “Aqui estão cerca de 4.100 quilômetros quadrados de desmatamento em torno de Rolim de Moura, Brasil. Esta comunidade, como muitas no estado de Rondônia, no Brasil, tem crescido desde a década de 1980, quando o governo incentivou os agricultores a se instalarem aqui vindos de áreas mais populosas no sul. Em 1985, menos de 10% de Rondônia foi desmatado para agricultura; mas em 2017, 33% das suas terras florestadas foram convertidas em pastagens e agricultura”.
 
A reportagem consultou dados do MapBiomas (conseguidos através do Imazon) para analisar as informações específicas do município. Dentro do território de Rolim de Moura, a área de vegetação primária caiu de 94,2 mil hectares, em 1986, para 20,4 mil hectares, em 2023. A redução é de mais de 78%. Compare as imagens abaixo.
 
Falando sobre a iniciativa de criar a página, em entrevista recente, o americano Benjamin Grant, fundador da página, disse que “há um grande poder em ver o mundo de cima – ao ver mais, somos capazes de compreender mais. O que fazemos com esse conhecimento depende de nós. Eu escolhi focar em como mudamos a Terra e a crise climática que é resultante dessa mudança, porque acredito que com uma nova perspectiva e consciência seremos capazes de fazer o que for necessário para criar mudanças para melhor”.