O fluxo dos pacientes prematuros demonstra a capacidade resolutiva da equipe e da estrutura
O relatório de indicadores clínicos da UTI Neonatal de Vilhena, referente ao ano de 2025, especialmente no mês de novembro, que marca a conscientização sobre a prematuridade, revela um salto significativo na qualidade e na efetividade dos serviços prestados, especialmente quando comparado ao passado recente, em que equipamentos permaneciam parados por anos e a estrutura não conseguia responder às demandas da população.
Hoje, a unidade, composta por 10 leitos — sendo 4 de UTI, 4 de UCInCo e 2 de Canguru — registrou 110 admissões ao longo do ano, das quais 72 foram de recém-nascidos prematuros, representando 65,5% do total. Esse dado confirma o perfil de alta complexidade da unidade, que se consolidou como referência no atendimento a essa população de risco.
O fluxo dos pacientes prematuros demonstra a capacidade resolutiva da equipe e da estrutura. Mais da metade, 39 bebês (54,2%), receberam alta direta para casa, sem necessidade de passar por alojamento conjunto, o que evidencia a eficácia dos protocolos de cuidado intensivo e de recuperação.
Outros 20 pacientes (27,8%) foram transferidos para o alojamento conjunto, etapa importante para o ganho de peso, fortalecimento do vínculo familiar e estímulo à amamentação. Apenas 11 casos (15,3%) precisaram ser encaminhados para outras unidades, geralmente por necessidade de procedimentos especializados como cirurgias cardíacas ou neurológicas.
O relatório também registra dois óbitos com menos de 24 horas de vida, que não entram nos indicadores formais, mas refletem a gravidade dos casos atendidos e a complexidade da clientela recebida.
Esses números ganham ainda mais relevância quando se lembra que, em anos anteriores, a UTI Neonatal enfrentava dificuldades estruturais severas, com equipamentos parados e leitos sem utilização plena. O contraste é evidente: de uma fase de estagnação e falta de recursos, a unidade passou a operar com alta taxa de rotatividade e indicadores robustos de efetividade.
A taxa de prematuridade atendida, de 65,5%, exige protocolos específicos, equipe altamente especializada e insumos adequados, e o relatório mostra que a unidade conseguiu responder a essa demanda com resolutividade e segurança. A baixa porcentagem de transferências para outros centros, apenas 15,3%, reforça a capacidade instalada e a autonomia conquistada.
A conclusão dos responsáveis técnicos, a enfermeira coordenadora Durcelene da Silva Vital e o médico neonatologista Adenilson Oliveira Gomes, é clara: a UTI Neonatal mantém um perfil de alta complexidade com excelente taxa de resolução, refletindo a eficácia dos protocolos de cuidado, nutrição e suporte.
A existência dos leitos de UCInCo e Canguru garante um fluxo assistencial eficiente, permitindo que os pacientes passem da terapia intensiva para cuidados de menor complexidade de forma organizada e segura. O resultado é uma unidade dinâmica, que não apenas atende a maioria dos casos de prematuridade com sucesso, mas também devolve às famílias a esperança de levar seus filhos para casa em condições estáveis.
O relatório de 2025, portanto, não é apenas um conjunto de números, mas um retrato da transformação de um serviço que saiu da inatividade para se tornar referência. Onde antes havia equipamentos parados e famílias desassistidas, hoje há uma UTI Neonatal que salva vidas, reduz transferências, promove altas diretas e fortalece o vínculo entre mães e filhos. É um avanço histórico para a saúde neonatal em Rondônia, que mostra como investimento, gestão e dedicação da equipe podem mudar radicalmente a realidade de um setor tão sensível.
Autor:
Paulo Mendes
Fonte:
Foto: Divulgação
Publicado em 30 de Novembro de 2025, às 06:36