O médico Sérgio Belém foi suspenso por 60 dias de suas atividades, através do Decreto 18.808/2009, assinado no dia 13 pelo prefeito Zé Rover (PP). A medida teria sido uma retaliação pelo fato de ele ter denunciado ao Ministério Público a suposta precariedade no funcionamento da UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) instalada há pouco mais de um mês em Vilhena. O prefeito alegou, no entanto, que a suspensão não foi uma represália. Mas sim porque existe uma ação por improbidade administrativa contra o médico na 3ª Vara Civil porque ele vinha mantendo contrato com as prefeituras de Vilhena e Porto Velho, a 700 km, havendo incompatibilidade para ele cumprir as duas cargas-horárias.  

 

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DENUNCIOU DE NOVO –  Na manhã desta quinta-feira (15), Sérgio Belém convidou jornalistas para uma entrevista coletiva. Em meio à exposição do médico, chegou ao local o secretário municipal de Saúde, Agenor de Carvalho, que procurou comprovar que a UTI está funcionando a contento.

Em tom ríspido, Belém interrompeu o secretário e com contundência disse: “Eu posso dizer que a UTI não existe, eu entendo do assunto e sei que não está funcionando”. Questionando sobre o porquê então dela ter sido autorizada a funcionar, Belém foi evasivo: “Estou chegando agora, mas sei que ela foi inaugurada a toque de caixa para cumprir promessa eleitoral”.

Sérgio Belém disse que o prefeito certa vez admitiu ter vencido as eleições com o promessa de instalar a UTI. “Ele me disse assim: Serginho, ganhei às suas custas”, garantiu. Agora, disse o médico, ele vem sendo atacado por parte da imprensa que levantou a suspeita de que ele estaria articulando a terceirização da UTI e assumir sua direção através de uma empresa privada, obtendo assim um lucro imenso com o empreendimento público. “É mentira. Não tentei e não quero a terceirização da UTI. Ela não é de Vilhena e do Cone Sul, já que moradores de toda a região assinaram o abaixo-assinado para que ela fosse aberta”.  

Ainda de acordo com o denunciante, ao invés de sanar os problemas por ele apontados, o prefeito Zé Rover preferiu lhe dar “um cala-boca”, afastando-o de suas funções no Hospital Regional. “Quem perde com isso? É a população”, refletiu.

 

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VEJA ABAIXO OS PROBLEMAS ELENCADOS PELO MÉDICO SOBRE A SITUAÇÃO DA UTI.

 

O neurocirurgião Sérgio Belém, protocolou na sexta-feira (9) junto ao Ministério Público de Vilhena (protocolo MP-RO 28972230909 de 09/10/09, às 14h50) um elenco de denúncias contra a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional. Segundo a denúncia faltam equipamentos, medicamentos e exames para pacientes internados na unidade.

 

Belém começa denunciando que na unidade existe somente um Oxímetro, ainda assim, inadequado, já que o mesmo é para transporte. O aparelho mede a saturação de oxigênio no sangue e sem o mesmo não há como saber como está o estado de saúde do paciente. “Para cada leito é preciso um aparelho desses, hoje, por exemplo, têm dois pacientes graves e três gravíssimos, quatro estão desassistidos, quando na realidade deveria haver dez aparelhos e um de reserva para o caso de um vier a falhar”, disse Belém. O neurocirurgião disse que os monitores da UTI deveriam medir a freqüência cardíaca, a pressão arterial e a oximetria, mas medem apenas os batimentos cardíacos, iguais aos que existem em esteiras de academias de ginásticas.

Na terça-feira passada, disse o médico, ele teria atendido um paciente gravíssimo que necessitava de exames laboratoriais e uma tomografia de crânio, mas há mais de dez dias os aparelhos do hospital não funcionam. “Um paciente grave não pode esperar”.

O médico apontou vários medicamentos sem os quais a UTI não pode funcionar. Entre os quais ele cita os trombolíticos para o caso de infarto agudo de miocárdio e em casos de AVC (Acidente Vascular Cerebral). Também denunciou a falta de antibióticos próprios para serem usados na UTI. “Para paciente grave e em coma só havia um antibiótico e oral, o que é inadequado”, delatou.  Também, segundo a denúncia do médico, não existe sonda nasoentérica para alimentar pacientes em coma. “Na realidade não existe nem alimentos próprios para pacientes em coma, muito menos local adequado para seu preparo”.

Outra denúncia grave é a falta de um aparelho de gasometria, sem o qual é inadmissível a abertura e o funcionamento de uma UTI. Segundo o médico, sem o aparelho não há como acompanhar o estado clínico do paciente, faltam exames básicos como hemograma, eletrocardiograma, tomografia. Para pacientes infartados há somente AS infantil, disse Belém. “isso o paciente pode ter em casa”. O médico disse ainda que quando o paciente vai para uma UTI sua vida depende desses exames e dos aparelhos, como eles não existem as pessoas acabam morrendo. “Como na UTI as famílias não podem entrar elas nem sabem o que ocorre com o paciente, ou seja, da forma que está a UTI apenas legalizaram a morte, é um abatedouro legalizado”, desabafou.

Por último o médico diz que sua denúncia se deu por indignação, pois a UTI foi inaugurada sem a menor condição de funcionamento só para enganar a população e continua funcionando sem a menor condição. “A prefeitura fez promessas falsas para a equipe da UTI que fica aguardando um posicionamento enquanto as pessoas que tem a vida a nós confiada morrem por falta de responsabilidade da atual gestão que está tratando a UTI como se fosse uma brincadeira”.

 Ele disse também que a maioria dos pacientes que se internam na UTI é da área neurológica e neurocirúrgica. “Criaram uma UTI na garganta, no papo, quando a gente cobra o que está faltando a prefeitura informa que está sendo licitado, mas as pessoa que chegam em coma não tem condições de esperar. Para essa administração ao que parece a vida não tem nenhum valor”, disse o médico que ressaltou a vontade dos funcionários da UTI para prestar um bom atendimento, infelizmente não podem por falta de ferramenta para tanto.