Acostumado a não “amarelar” diante de poderosos, cujos mal-feitos sempre denunciou como jornalista, o repórter Mario Quevedo está tendo que recuar diante de um oponente poderoso: a dependência química. Para se tratar do problema, o jornalista, que já passou por praticamente todos os veículos da imprensa local, decidiu se internar numa clínica de recuperação.

A entidade escolhida por Quevedo para dar início ao processo de recuperação é a Trindade Santa, ligada à Igreja Católica. Instalada a 15 quilômetros da cidade, a instituição já conseguiu reabilitar 23 dependentes só neste ano. Quevedo, que se interna na próxima segunda-feira, tem planos de ficar no local pelos próximos nove meses.

A decisão de buscar ajuda foi tomada pelo repórter na semana passada, segundo ele, porque “me cansei de ser duas pessoas”. Mario diz que o fato de as pessoas só o conhecerem como o “polêmico” repórter acaba anulando o seu lado humano.

Vítima também de depressão, Quevedo diz ter se decepcionado muito nos últimos tempos, em virtude de não ter obtido qualquer ajuda junto a tantas pessoas que ajudou. Ironicamente, conforme diz o próprio comunicador, o auxílio para que se tratasse de um problema crônico no braço veio justamente de onde ele menos esperava. “Passei anos criticando o senador Valdir Raupp (PMDB) e foi exatamente ele, sem me cobrar nada, quem bancou meu tratamento ortopédico em Brasília”, revelou.

O jornalista diz que há cinco anos tenta, sem sucesso, se livrar das drogas. Agora, no entanto, como partiu dele próprio a iniciativa de, pela primeira vez, se internar num estabelecimento de reabilitação, acredita que vai conseguir superar o vício. “Não quer ser exemplo para ninguém. Desejo simplesmente que as pessoas vejam o que as drogas podem fazer com alguém inteligente e capacidade. É preciso que todos saibam que ninguém tem controle sobre essas substâncias”, desabafa.