Organizações de defesa dos índios estão pressionando o governo federal a tomar providências quanto às “condições críticas dos grupos isolados da Amazônia, em especial das tribos em Rondônia”. A mensagem foi dirigida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo CIMI (Conselho Indianista Missionário).

As entidades lembram que, em novembro do ano passado, foi baleado o conhecido "Índio do Buraco", último remanescente de uma etnia até hoje não identificada de índios isolados em Rondônia.

Segundo a Funai (Fundação Nacional do Índio), a ação foi protagonizada por fazendeiros que não aceitam a restrição de uso da terra indígena Tanaru, que possui 8.070 hectares e fica próxima a Corumbiara. De acordo com as organizações, o posto local da Funai foi atacado.

Duas obras federais também ameaçam tribos isoladas, afirmam as organizações. Elas dizem que, a menos de 5 km da obra de pavimentação da BR 429, na região do Vale do Guaporé (RO), foram encontrados vestígios de povos isolados. As ONGs  afirmam ainda que na região afetada pela construção da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, existem ao menos cinco tribos isoladas.

"É intolerável à sociedade e ao Estado brasileiro compactuarem ou demonstrarem-se omissos diante do flagrante descaso, opressão e genocídio expresso em pleno século 21", afirma a mensagem. A Funai estima que existem cerca de 67 tribos de índios isolados no Brasil.