Com sede em Vilhena, Paz Ambiental atua em Rondônia, Mato Grosso e Acre

A empresa vilhenense Paz Ambiental, que atua no ramo de coleta, transporte, tratamento e disposição final de resíduos perigosos, e que opera em Rondônia, Mato Grosso e Acre, passou esta semana pelo “Teste de Queima” e apresentou resultados expressivos.

O teste é realizado anualmente, de acordo com a Resolução 316 do Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama, que disciplina os processos de tratamento térmico de resíduos e cadáveres, estabelecendo procedimentos operacionais, limites de emissão e critérios de desempenho, controle, tratamento e disposição final de efluentes, de modo a minimizar os impactos ao meio ambiente e à saúde pública, resultantes destas atividades.

Os testes são realizados por empresas certificadas pelo INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia). Neste caso específico, quem fez as análises foi o Laboratório Analítica, de Cuiabá (MT), cujo responsável técnico é o Engenheiro Químico, Mestre em Ciências Ambientais e Doutor em Química Analítica, Mackson Ronny de Oliveira D’Anunciação que, ele próprio, conduziu a visita de três dias a Paz Ambiental. 

“Anualmente é feito o monitoramento das emissões atmosféricas, que vulgarmente a gente chama de “Teste de Queima”, cuja nomenclatura correta é monitoramento das emissões atmosféricas proveniente de fontes fixas. Esses testes precisam ser feitos periodicamente em caldeiras, em crematórios e incineradores. O que se avalia nestes casos é se os resíduos incinerados, que são extremamente poluentes e insalubres, estão sendo queimados, com uma eficiência e eficácia de destruição e remoção, que a gente chama de ETR, para matar patógenos e assim impactar minimamente o ambiente”, explicou.

D’Anunciação elogiou o sistema implantado pela empresa Paz Ambiental que, segundo ele, proporcionou um resultado melhor nos níveis de emissão de gases, com porcentagens muito melhores do que as determinadas como aceitáveis pelo Conama. Como exemplo ele citou a emissão de Dióxido de Carbono (CO2), que a Resolução do Conama prevê a emissão máxima de 100 ppm (partícula por milhão) e a empresa vilhenense emite 25 ppm. 

Ainda de acordo com o engenheiro, o uso, no processo, de filtros de carvão ativado, filtros de manga, e a neutralização bical tem resultado em uma eficácia técnica de 96% e uma eficácia de remoção de gases de 99,9%. “É surpreendente para um equipamento de queima de resíduos de saúde” disse o engenheiro, antes de exaltar: “Isso é inédito no estado, e a destinação correta desses resíduos é uma questão de saúde pública; quem deveria estar acompanhando de perto este processo eram os vereadores, o promotor público, e todo aquele político que não se preocupa e acha que sustentabilidade e ecologia é apenas coisa de palanque”. 

Gustavo Capra, diretor da Paz Ambiental, contou que o projeto para aperfeiçoar a operação e diminuir a emissão de gases poluentes na atmosfera começou no ano passado. “Já tínhamos o incinerador dentro das normas, mas esse resultado mais excepcional é fruto desse trabalho que começou no ano passado. Compramos o projeto da Universidade Federal de Minas Gerais, mas todas as adaptações e automações foram feitas pela nossa equipe sob a tutela do nosso engenheiro”, pontuou Capra. 

Formado em Engenharia Elétrica e pós-graduado em física e matemática, Valdemar de Freitas é o homem por traz do projeto de automação que trouxe à Paz Ambiental os resultados positivos deste teste.

Ele e sua equipe automatizaram todo processo. “A automação tem como objetivo principal diminuir o esforço físico e a insalubridade para o trabalhador. Mas, também busca otimizar o resultado, por meio do processo com o controle de velocidade, controle de ingestão de água, controle de tratamento químico, controle de tratamento resíduos e dos gases, que nos permite ao final do processo termos cerca de 1 a 2% de sobras”, detalhou.  

Segundo Capra, a empresa incinera anualmente cerca de 2.500 toneladas de lixo perigoso. Diariamente são cerca de 8 mil kg de material descartado por hospitais, laboratórios, consultórios odontológicos, farmácias, postos de combustíveis, mecânicas e outros seguimentos. 

Esse número poderia ser muito maior se todas as empresas que produzem esses contaminantes fizessem o descarte correto. Segundo Capra ainda há uma resistência por parte dos empresários. “Basicamente por dois motivos: primeiro é financeiro, essas empresas não estão acostumadas a pagar pelo descarte correto do lixo; e segundo é por não terem o comprometimento com a sustentabilidade. Falta a compreensão de que o descarte correto é uma questão de saúde pública. Se consultórios, laboratórios e até mesmo pet shops descartam seus lixo em qualquer lugar, podem tanto contaminar quem tiver contato direto com ele, como essas substâncias podem se infiltrarem no solo e contaminar o lençol freático poluído a água e causando doenças”, disse. 

Ao final dos três dias, a empresa responsável pela análise produzirá um relatório que será enviado aos órgãos fiscalizadores, como o SEDAM (Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental) que acompanhou os três dias de testes.