“Para que me entendam bem, é preciso dizer em que ponto estive, por 3 dias, véspera e virada do ano.    Para saber de velocidade, de cidade é preciso do ponto de referencia. Município de Cabixi, Vila Neide, Guaporé Pesca Hotel (Rio Guaporé), do empreendedor de fé José Luiz. 

Conheço o Guaporé em outras localidades. Em todas elas com mesmo encanto. O que diferencia o rio, margem, praia, vegetação  é a natural competição que existe entre elas pela beleza diversa, como se fossem cenários construídos para espetáculos. 

 E vão se formando aglomerados humanos com pensamentos diferentes, interesses e atividades. Desde centenárias comunidades, colônias de pescadores às pousadas de veraneios.  

Como disse, vim passar  o final de ano neste santuário. Um breve hiato da vida sem celulares, sem Internet, sem convenções.  Há contraste entre as margens do rio. Do lado brasileiro, a planície quartejada de lavouras de soja, pastagens, blocos desflorestados, em alguns pontos, beiram o rio.

O lado boliviano, floresta virgem, maciça, montanhas  refletem outras montanhas  numa perspectiva de que o céu nasce no topo delas. Elas vão curveando em clarões e sombras. Uma pedra sentinela, bruta e sublime, emerge do cume ondulado da floresta como se fosse uma mão aflita. Com a impressão que fui esculpida por talento incomum.  

Os lagos, baías, banhados, igapós predominam na margem estrangeira. Se não bastasse o rio para impor a fronteira entre os países, a natureza construiu penhascos montanhosos, duas barreiras a nos delimitar.  

O que me fez escrever este texto foi o chamar a atenção dos rondonienses para que primeiro conheçam RONDONIA”.