Enquanto o aterro sanitário não entra em funcionamento, todo o lixo de Vilhena é direcionado para um depósito de resíduos improvisado, que fica a 5 km da cidade e a menos de 800 metros da BR 364, sentido Porto Velho.

A área ocupada, que já é de aproximadamente 200 mil metros quadrados, não para de crescer. Toneladas de lixo são depositadas diariamente no local.  Já seria um absurdo se fosse considerada apenas a destruição causada pela implantação do lixão. Naquela área,  árvores foram derrubadas para que o lixo pudesse ser depositado num espaço mais amplo, o que acabou expulsando do habitat natural, várias espécies animais.

A coisa piora porque o lixo acumulado, além de expelir gases tóxicos que contaminam a atmosfera, ao se decompôr cria uma substância líquida, o chamado “churumi”, que é absorvida pelo solo, atingindo o lençol freático. Além disso, como se só isso fosse pouco, essa substância escorre sobre a terra em virtude da caída do terreno, até atingir uma nascente que fica a menos de 400m do lixão.

O chefe do escritório do IBAMA em Vilhena, Edevar Sovete, disse que a licença do lixão é de responsabilidade da SEDAM. Ao IBAMA caberia fazer um estudo no local para ver o grau de contaminação. Segundo Edevar, esse estudo deveria ser feito por um analista ambiental com formação em Química e o estado de Rondônia não dispõe de um profissional desses. A SEDAM foi procurada por duas vezes e não se manifestou a respeito do assunto.

Fica ainda pior saber que, à margem da legislação, bem como da proteção do estado, pessoas sub-existem naquele ambiente insalubre e perigoso. Recolhem tudo o que é reciclável: alumínio, plástico, papel, vidro, metal etc. Mas, não é somente recicláveis que eles aproveitam. Os objetos de uso, inclusive panelas, e até mesmo a roupa que vestem, são coletados no lixo. Mais grave ainda: até alimentos são disputados com cães e aves que circundam aquele lugar fétido.

O perigo de contrair alguma doença devido ao contato com todo tipo de coisa, inclusive restos de animais, é muito grande. Mas, também há o risco iminente de acidentes. Cortes e furadas são constantes, visto que nenhum dos que sobrevivem ali usa sequer luvas para se proteger. “Já me cortei e me furei tantas vezes que perdi a conta, e todo esse tempo inalando os gases e a fumaça do lixo que queima. Tudo isso me rendeu uma doença respiratória”, disse José Romário, de 26 anos, catador de material reciclável no lixão há 13 anos.

José confessou que gostaria de deixar o lixão, mas tem consciência de que fazer isso não é nada fácil, tendo em vista não possuir escolaridade nem formação profissional. Segundo diz o catador, ele consegue tirar por mês em média R$ 600 para sustentar a si mesmo e a mãe. E parte dessa quantia ele ainda gasta na compra de materiais esportivos para manutenção da escolinha de futebol dirige no bairro Cristo Rei, no campo da Faculdade da Amazônia – FAMA. Das atividades da entidade participam 60 crianças. José disse ainda que 80% do lixo queimado poderiam ser reciclado se fosse feita a coleta seletiva do lixo. “O vilhenense desperdiça muita coisa, fico triste de pensar que muitos preferem jogar no lixo a dar a quem esteja precisando”, desabafou.