Nesta quarta-feira haverá palestra na UNESC e amanhã “aulão” na escola Álvares de Azevedo
Geógrafos de renome estão em visita a Vilhena, onde ministram cursos, palestras e até um “aulão” para estudantes do Ensino Médio da Rede Pública Estadual de Ensino. O convite ao Professor Mestre Elian Alabi Lucci e ao Dr. José Moura Palhares foi feito pela professora de Geografia da Escola Álvares de Azevedo, Silvana Afonso.
“Elian é Mestre e autor de vários livros didáticos utilizados nas escolas para as aulas de Geografia; e, para os alunos terem melhor suporte didático, nada melhor que o contato direto com os autores dos livros que eles estudam”, pontuou a educadora.
Elian Alabi Lucci é autor de livros didáticos de Geografia, editor da Revista de Ciência Geográfica e diretor da Associação dos Geógrafos Brasileiros e da ARVO Comunicación da Universidade de Salamanca (Espanha), e chegou à cidade acompanhado pelo Dr. José Moura Palhares, Professor na Universidade Federal do Amapá – UNIFAP, com vasta experiência em Geografia física com ênfase em Geomorfologia e Hidrologia; os dois, junto com a Professora Silvana Afonso, visitaram a redação do FOLHA DO SUL ONLINE ontem (terça-feira, 06), e falaram sobre as palestras, o curso, o aulão, o clima e política.
Na manhã desta quarta-feira, 07, a dupla ministrou um curso de formação para professores da rede pública estadual que contará, inclusive, com a participação de educadores de cidades vizinhas.
No período noturno, com início às 19:30, na UNESC Vilhena, Lucci e Palhares irão apresentar a palestra “Mudanças Climáticas Globais e Seus Impactos no Meio Ambiente”. A apresentação será para acadêmicos dos cursos de Engenharia Ambiental e de Engenharia da Computação, mas também para alunos do ensino médio de escolas da Rede Pública Estadual.
Já na noite da quinta-feira, 08, o encontro será na Escola Álvares de Azevedo para o “aulão”, cujo tema é “Abordagem da Globalização no Enem: Relações Geográficas e Sociais à Luz dos Estudos da Geografia”. O evento começa às 19:00.
Lucci, autor do livro “Território e Sociedade no Mundo Globalizado” e que lança em Vilhena a Coleção “Geografia Território e Sociedade”, disse que se sentiu acolhido em Vilhena e se mostrou encantado com o que encontrou na escola Álvares de Azevedo. “É uma escola maravilhosa, os diretores, os professores. Estou encantado com os alunos. São educados, interessados, preocupados com o saber”, enumerou.
Lucci afirmou, se referindo às mudanças climáticas, que esse assunto não é mais uma preocupação de países, e sim global. “Em outubro, teremos uma nova Conferência Mundial do Clima que irá tratar desse assunto. É imprescindível que os países participantes se comprometem com metas e busquem soluções de enfrentamento aos problemas que afetam o meio ambiente. E a nós educadores cabe preparar os alunos hoje para que eles possam entender o papel deles, e deixar o planeta preparado para receber a próxima geração que vai substituí-los”, ponderou.
Os educadores afirmaram que receberam com tristeza a notícia de que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) colocou em cheque os dados do desmatamento da Amazônia apresentados pelo INPE.
“É triste, é lamentável. Porque é uma instituição que trabalha muito bem. Não tem cabimento, por exemplo, minimizar a participação do INPE neste trabalho em relação desmatamento no Brasil, que tem como dizem “o pulmão do mundo” e que tem peso muito grande no clima, principalmente no hemisfério norte, e por isso o americano está muito preocupado com a Amazônia, por que o equilíbrio climático do Norte depende da Amazônia. O INPE tem um peso muito grande e o americano conhece bem o INPE”, disse Lucci.
“O que acontece é que os governos são ideologias, e o atual governo é voltado para os grandes empresários e para o capitalismo internacional, globalizado, e sofre pressões. Um exemplo: o Brasil é o país dos caminhões. O transporte rodoviário acima de 400 km se torna deficitário. O ideal é tivéssemos ferrovias e hidrovias. Mas, as grandes fabricantes de caminhões, desde que chegaram ao Brasil na década de 1960, monopolizaram os meios de transportes, e ainda hoje fazem pressão: - Olha se vocês quiserem investir em ferrovias e hidrovias a gente vai embora” explanou.
Autor:
Rogério Perucci
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 07 de Agosto de 2019, às 17:28