As cerca de 50 famílias instaladas numa área de terras nas proximidades da faculdade Iesa, nos fundos do bairro Cristo Rei garantem que não pretendem deixar o local. O presidente da Associação do Bairro Novo Paraíso, Ortelino Ritzel, que comanda o assentamento, garante ter escritura expedida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) permitindo que a entidade ocupe a área.
No final do ano passado, houve uma tentativa de expulsar as famílias do local. A ação de desocupação nem chegou a ser proposta, mas a prefeitura de Vilhena alega que a área pertence ao Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae). Cortado em cerca de 1.200 “datas”, o terreno também conserva algumas “áreas verdes” para a construção de praças no futuro.
O assentamento ainda não dispõe de qualquer infraestrutura, mas Ortelino garante que o problema será resolvido em breve, já que a escritura dos 57 hectares lhe permitirá cobrar investimentos do município em rede de água e energia, além de abertura de ruas.
O último prazo para que as pessoas interessadas em um terreno no local se inscrevessem foi encerrado na tarde de ontem. Quem se inscreveu para ocupar a área teve que pagar duas taxas: 50 reais para que a associação custeasse as despesas com advogados e mais 80 reais para bancar serviços de topografia.
Entre as pessoas que se habilitaram para ganhar um terreno no “grilo”, estão pelo menos quatro policiais militares. O restante dos contemplados são famílias de baixa renda, que terão seis meses para começar a construção das residências. Após esse prazo, caso as obras não tenham começado, o dono do lote poderá perder o imóvel. Ortelino justifica a medida: “Isso aqui é para quem não tem onde morar. Não vamos permitir especulação imobiliária”.