Reportagem recente foi reproduzida em outros Estados do Brasil
Recentemente, o FOLHA DO SUL ON LINE publicou reportagem mostrando que cerca de 40 milhões de abelhas morreram em Rondônia, e que a principal suspeita é que agrotóxicos podem estar por trás do problema. O material repercutiu em todo o Brasil e há sinais de que o Ministério Público local deve investigar o caso (VEJA AQUI).
Ao pesquisar em seus arquivos, o site descobriu que 10 anos atrás, um texto do repórter Herbert Weil, publicado na edição impressa da FOLHA, já abordava o problema e apontava para os mesmos suspeitos pela mortandade dos insetos.
LEIA ABAIXO, na íntegra, a publicação original, feita em 2013:
Produção de mel cai 40% em 2013, mas causa continua desconhecida
Herbert Weil - Repórter
A produção de mel em Vilhena sempre foi referência no Cone Sul de Rondônia. Mesmo com as quedas na produtividade observadas nos últimos anos, as 70 toneladas ainda demonstram uma produção consistente. Contudo, uma queda de até 40% nos apiários da cidade em 2013 preocupa apicultores e especialistas.
Coordenada por duas entidades, a Cooapa (Cooperativa Apícola Portal da Amazônia) e a Associação Vilhenense dos Apicultores, a produção local de mel reúne cerca de 40 produtores. A maior parte do mel consumido em Vilhena vem das centenas de apiários destes produtores. Observada há alguns anos, a queda misteriosa na produtividade das colmeias é tema de estudos na cidade e no país, já que o fenômeno afeta apicultores de todo o Brasil.
Segundo Antonio Donizete, extencionista rural da Emater (Associação de Assistência Técnica e Extensão Rural) de Vilhena, as causas não foram completamente esclarecidas, contudo, muitas suspeitas recaem sobre o mal uso de agrotóxicos em plantações de soja e milho. "Acredito que a aplicação descontrolada e a proximidade dos apiários das plantações têm causado a evasão das abelhas, bem como a queda na produtividade. É provável que algum composto químico influencie negativamente o funcionamento do organismo dos insetos", analisa.
Algumas propriedades de Vilhena chegaram a computar perdas de 40% este ano na produtividade. A média geral de redução na produção deve fechar em torno de 25%, segundo Antonio Donizete. Recentemente foram entregues pelo Governo tambores para estoque do produto para os produtores locais, mas outras dificuldades também impedem o aumento da produção local. Segundo o presidente da Cooapa, Aldir Lauri Gerlach, a burocracia representa obstáculo para a comercialização do produto em outros municípios e Estados.
“Precisamos de apoio técnico para elaborar a documentação necessária a fim de nos adequarmos ao Serviço de Inspeção Estadual, SIE. Só com este selo teremos condições de melhorar os preços praticados hoje. Acredito que com a documentação em ordem, poderemos trabalhar de forma muito mais tranquila”, conclui Aldir.
As perspectivas de melhora, dessa forma, ficam para o futuro. Segundo a Emater, as melhores áreas para a criação de abelhas já estão ocupadas e o crescimento da atividade é complexo no município. "Aqui temos outro agravante, a fumaça no período da seca prejudica bastante. O preço aqui, devido a todas essas dificuldades, é, para mim, barato. Em geral, o quilo custa R$ 7 no atacado e R$ 15 no varejo. Neste atual período de entressafra deve estar em R$ 10", analisa. No entanto, tabela de preços editada pela própria Emater indica a média estadual de R$ 15,50 para o preço do quilo do mel.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 29 de Abril de 2023, às 09:05