Policiais militares de Vilhena, atendendo solicitação da Juíza Sandra Beatriz Merenda, de acompanhar um Oficial de Justiça na notificação dos invasores da Fazenda Estrela, situada na Linha 83, Km 7 do distrito de Guaporé, no município de Chupinguaia, findaram realizando a apreensão de um filhote de macaco num dos barracos da propriedade.
O macaquinho, da espécie Cuxiú-de-nariz-branco, estava dentro de uma caixa de madeira. No barraco onde o animal estava não havia ninguém, mas os policiais encontraram os documentos da pessoa que, possivelmente, mantinha o bicho preso.
O Cuxiú-de-nariz-branco figura na lista do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) como uma das espécies ameaçadas de extinção desde o final da década de 80.
De acordo com o site do instituto, a região habitada pela espécie é a amazônica, mais especificamente toda a região entre a margem esquerda do rio Xingu e a margem direita do rio Madeira, nos Estados de Mato Grosso e Rondônia. Vive em grandes bandos com até 40 animais, sempre no topo das árvores, não descem ao chão.
Por essa característica de nunca descerem ao chão, e por se tratar de um filhote, é que o veterinário do Ibama, Francisco Dimas, afirma achar possível que o macaquinho mantido encontrado em cativeiro, tenha tido a mãe morta, visto que nesse período o filhote está sempre agarrado a ela.
O filhote foi entregue pelos policiais na sede do Ibama em Vilhena, onde, segundo o Veterinário Francisco, ele passará por um período de descanso, visto que chegou muito estressado e debilitado. Depois ele será avaliado para descobrir se ele tem alguma doença, e caso não sofra de nenhuma enfermidade será devolvido ao seu habitat natural.
No entanto, se confirmada alguma doença, ele será enviado para o Centro Especial de Triagem de Animal Silvestre (Cetas), em Porto Velho. Lá, ele receberá os cuidados necessários para sua reabilitação. Depois, se confirmado que ele pode voltar a viver na mata, será solto. Se não, ele poderá ir para integrar o Criatório Preservacionista, que visa à reprodução em cativeiro de espécies ameaçadas. Ou ainda para um zoológico.
Quanto à punição pelo crime contra a fauna, o infrator poderá pagar multa de até R$ 5 mil, segundo Francisco Dimas, e ainda responder judicialmente pelo delito.
Mas, como ninguém foi encontrado no local, apenas os documentos de um senhor de 43 anos, que possivelmente será convocado a comparecer a Delegacia de Polícia Civil para prestar depoimento, o Ibama terá que esperar a conclusão do inquérito policial para poder tomar providências.