Uma casa localizada na Avenida Paraná, nas proximidades da Cooperfrutos, onde funcionava um depósito de madeiras, virou um abrigo de “luxo” para um grupo de pelo menos 05 andarilhos, sendo quatro homens e uma mulher. O grupo sai diariamente para pedir dinheiro ou fazer pequenos serviços como limpeza de quintais na cidade. O fato de andarem maltrapilhos acaba por impedir que consigam trabalho e a mendicância acaba sendo a única opção de sobrevivência deles.
A reportagem do site não conseguiu localizar o dono do imóvel ocupado pelos sem-teto, mas segundo um dos andarilhos, José Pedro Ferreira, de 57 anos (que está sentado de boné preto encostado na primeira árvore), o proprietário sabe da invasão do local.
O prédio virou alvo fácil dos moradores de rua entre outros andarilhos, viciados em álcool porque uma porta dos fundos, sem trancas, facilita a entrada de qualquer pessoa. A residência, no entanto, não é o único imóvel neste estado. Outro prédio aparentemente abandonado, nas proximidades da estação rodoviária, abriga mais meia dúzia de andarilhos alcoólatras.
José Pedro, que falou ao www.folhadosulonline.com.br representando os companheiros, disse que lidera o grupo porque foi ele foi quem descobriu o novo “albergue”. Por causa de seu pioneirismo, o sem-teto chefe cobra favores dos outros por morarem com ele sem pagar nada. O líder disse que nasceu no estado do Rio Grande do Sul, em 1954, na cidade de Boqueirão, tem profissão de tratorista, mas desde que perdeu um irmão na cidade de Juína (MT), vítima da queda de uma árvore, quando fazia derrubadas com motosserras, “caiu no trecho” tendo aversão ao barulho de motores. “Desde aquela tragédia, abandonei a profissão e o gosto pelo trabalho”, revela. Hoje, todos do abrigo têm uma história de vida mal resolvida e explicam que bebem à noite para tentar dormir cedo, sem pensar na miséria em que vivem. “Só assim esquecemos um pouco tanta desgraça”, finaliza o gaúcho.