A revista Nossa Terra, lançada na semana passada pelo Sindicato dos Produtores Rurais de Vilhena, trouxe uma entrevista com o ex-reitor da Unir (Universidade Federal de Rondônia), o geólogo, professor pós-doutor e pesquisador Ene Glória (FOTO – reprodução da revista), que garante que a “ação do homem não vai destruir a floresta Amazônica”. A entrevista, feita pelo jornalista Marcus Fiori, ocupa duas páginas da publicação e destaca, no preâmbulo, que Ene Glória se dedica há 30 anos a pesquisas sobre o ambiente amazônico. O pesquisador afirma que, com 11 mil anos de idade, a floresta é “velha” e já cumpriu mais um ciclo geológico e que, a partir de agora, ela está fadada a declinar até quase desaparecer. “Isso deve acontecer independente da ação do homem”, afirma. Ene Glória reconhece, porém, que as queimadas e desmatamentos provocam perdas no banco genético “extraordinário e ainda não estudado” da Amazônia. Por outro lado, afirma ele, “desmatamentos e queimadas fazem parte do processo de ocupação e da cultura agrícola não só da Amazônia, mas do Brasil como um todo (...). Neste sentido os colonos não podem ser alcunhados de degradadores”. Sobre o adágio de que a Amazônia é o pulmão do mundo, Ene Glória diz que, ao contrário, a floresta – por ser velha – ela ajuda a poluir o planeta. “Por ser velha, ela exala muito mais dióxido de carbono do que oxigênio”. Segundo o pesquisador, por trás deste discurso há uma indústria poderosa e que ganha muito dinheiro. O verdadeiro “pulmão do mundo”, segundo Ene Glória, são os fitoplanctons do ambiente marinho. “Eles são responsáveis por 97% do oxigênio da terra e a floresta nada tem a ver com isso”. Neste sentido, “a humanidade deveria se preocupar mais com os oceanos e menos com a Amazônia?” – perguntou o repórter da revista, obtendo uma resposta positiva do pesquisador da Unir: “Sim, é isso mesmo”. O ex-reitor diz que existem “modismos” em defesa do meio ambiente, sem amparo científico, porém com o apoio de parte das classes intelectual e artística. Um exemplo disso é a “notícia” que corre o mundo dando conta de que “o rebanho bovino polui, com seus flatos e arrotos, polui mais dos que todos os veículos que circulam pelo planeta”. Ene Glória diz que existe “exagero” no discurso ambientalista, de uma forma geral. “Como ocorreu na década de 1980, quando se afirmava que a utilização de geladeiras e ar condicionado com base no CFC iria acabar com a camada de ozônio. Mais de dois terço da população mundial continuam utilizando esses equipamentos e a camada de ozônio está estável”.