Amostras de abelhas mortas passarão por exames em laboratório na cidade de Piracicaba (SP)
Apicultores de todo estado de Rondônia estão preocupados com o desaparecimento dos insetos nos últimos anos. A região de Vilhena está sendo a mais afetada no Estado, e grupos de apicultores estão se organizando para enviar amostras de abelhas mortas para exames em laboratório na cidade de Piracicaba (SP), para pedir providências ao Ministério Público.
De acordo com um apicultor, que confirmou as perdas alarmantes em conversa com o FOLHA DO SUL ON LINE, mais de 40 milhões de abelhas desapareceram no Estado nos últimos tempos.
Os produtores de mel estão indignados com a falta de preocupação de órgãos governamentais, e por parte de quem aplica os agrotóxicos, de não informar os criadores de abelhas o período em que ocorrerá a pulverização para que as medidas de proteção sejam adotadas, para evitar as mortes dos insetos.
No ano de 2022, exames encontraram três agrotóxicos (o fungicida trifloxistrobina, e os inseticidas triflumuron, em maior quantidade, e fipronil, que deteve a patente do princípio ativo até 2008) nas colmeias.
Testes pagos com recursos do Ministério Público estadual em Santa Catarina confirmam que a principal causa de morte de abelhas em todo o Brasil está é o uso do inseticida fipronil, aplicado em lavouras de soja.
A substância foi proibida em países como Vietnã, Uruguai e África do Sul, após pesquisas comprovarem que ela é letal para as abelhas.
O impacto desses agrotóxicos é que eles são letais para as abelhas, pois agem diretamente no sistema nervoso central. As que não morrem durante o voo retornam adoecidas e contaminam toda a colmeia.
Nos últimos anos, foram liberados grandes quantidade de agrotóxicos no país. De acordo com a Anvisa, 40% dessas substâncias estão classificadas como extremamente ou altamente tóxicas.
É crescente a utilização de agrotóxicos nas lavouras, e como consequência do uso indiscriminado desses venenos, muitos enxames de abelhas têm sido dizimados em todas as regiões do Brasil.
As abelhas são importantes polinizadores, responsáveis por mais de 70% de todas as espécies de plantas produtoras de alimentos que dependem da polinização animal para se reproduzir. Esses insetos também são responsáveis por grande parte do ciclo de vida contínuo dos ecossistemas. Eles são extremamente importantes para o meio ambiente, porque ajudam a promover a biodiversidade e a ecologia.
Em 2019, uma reportagem publicada na página da Agência Brasil, do governo federal, publicou os resultados de uma pesquisa mostrando os efeitos nos agrotóxicos nas abelhas (LEIA AQUI).
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Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 13 de Abril de 2023, às 08:37