A onda de violência que vem atingindo Vilhena desde o final do ano passado está mudando hábitos em todas as classes socioeconômicas na cidade. Os crimes brutais registrados recentemente incluem assaltos com emprego de violência, assassinatos e até estupro.

Ninguém está livre da marginalidade e, enquanto o comércio é atacado mesmo à luz do dia, nas residências as ações geralmente acontecem no período noturno. Casos de famílias mantidas reféns e espancadas por ladrões começam a se tornar rotina na crônica policial local.

Para tentar se proteger dos bandidos, cada um se vira como pode. Nas residências de alto padrão, os investimentos em segurança eletrônica são visíveis. Nos barracos da periferia, a estratégia é trancar tudo e não sair à rua sem necessidade.

E foi em meio a esta população acuada, que o FOLHA DO SUL ON LINE entrevistou três pessoas que usam artifícios para não entrarem como vítimas nas estatísticas policiais. O primeiro a falar foi o vendedor de água de coco Benedito Leopoldino (FOTO), 72anos. Ele diz que só fica na rua até determinado horário, e mesmo assim, seu comércio ambulante é sempre instalado próximo de gente que pode “acudi-lo” numa emergência.

Já sitiante Valdivino Eduardo Oliveira, 64, diz que circula sempre atento pela cidade. Nesta idade, argumenta o agricultor, “Eu não teria como reagir ao ataque de algum noiado”.

Osvaldo Pereira da Cruz, 67, outro ambulante, diz já ter sido vítima de uma gangue no Setor 22. Segundo contou, meia dúzia de rapazes, usando facas, o encurralaram e tomaram tudo o que havia faturado naquele dia com a venda de picolés.

 Além dos três idosos, outras categorias, como os próprios jovens, andam ressabiados ao sair de casa. Muitos, inclusive, até evitar a diversão típica da categoria (as baladas) justamente para não se exporem à criminalidade.