Representantes da Prefeitura de Comodoro (MT), da Câmara Municipal de Vereadores do município, da Polícia Militar, empresários e imprensa, se reuniram na noite de quarta-feira, 23, na cidade vizinha, para planejar uma viagem de exploração da Rodovia Interoceânica, que liga o Brasil ao Oceano Pacífico.

A viagem, marcada para a segunda quinzena de abril, poderá mudar os rumos da economia no noroeste do Mato Grosso e em Rondônia.

A aventura começa em Comodoro, passa pelos municípios de Rondônia e termina na cidade portuária de Ilo, no Peru. O trajeto possui 2.840 Km de extensão. O prefeito de Comodoro, Marcelo Beduschi (PT), explicou que a intenção é analisar as possibilidades de explorar essa rota para o aquecimento da economia local.

"Se conseguirmos fazer com que essa rota seja usada com mais freqüência, não só Comodoro que é cortada ao meio por duas rodovias, mas todos os outros municípios vão ganhar com o turismo e a instalação de indústrias, dentre outros fatores que poderão contribuir para o desenvolvimento da região", argumenta o prefeito, ao afirmar que a viagem é estritamente de negócios, para verificar quais produtos podem ser transportados através dessa via, tanto o que sai quanto o que entra no país.

A composição da equipe que vai explorar a estrada ainda está sendo feita. Representantes do comércio de outros municípios do noroeste matogrossense já confirmaram a participação. Há ainda a possibilidade de empresários de Vilhena acompanharem a excursão.

A viagem dura em média 10 dias e terá um custo aproximado de R$ 2 mil para cada participante. Pelo menos 20 pessoas já estão confirmadas na caravana.

 

ENTENDA A IMPORTÂNCIA DA TRANSOCEÂNICA - A Rota do Pacífico é um conjunto de estradas pavimentadas há cerca de dois anos. As rodovias são uma alternativa pouco explorada para o escoamento da produção de soja, carnes e produtos industrializados das regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil, principalmente para países da Ásia. Atualmente, a maioria dos produtos é embarcada nos portos de Santos, em São Paulo, e Paranaguá, no Paraná. O percurso médio feito por esses produtos é de 3.000 quilômetros dentro do território brasileiro.

Além do percurso por terra, as rotas de navegação partindo dos portos brasileiros com destino à Ásia também são longas: variam de 22.000 a 25.000 quilômetros, através do canal do Panamá (América Central), Estreito de Magalhães (América do Sul) ou até mesmo via África do Sul. Pela nova rota o percurso por via terrestre não mudará muito: a média será de aproximadamente 2.800 quilômetros, mas serão cerca de 14.000 a 17.000 quilômetros pelo mar.

Além da economia no percurso, os portos dos países do Pacífico não utilizam toda a capacidade que têm. No Chile, por exemplo, há disponibilidade ociosa de utilização de aproximadamente 3,5 milhões de toneladas. Outro ponto positivo é que as tarifas são, em média, 60% mais baratas do que as brasileiras. Pelo novo caminho, caem os custos e também cai o tempo de viagem dos produtos, garantindo mais competitividade aos exportadores.