Cerca de metade destes vieram do Mato Grosso, enquanto Vilhena tem pelo menos também 300 venezuelanos
Vilhena foi o destino mais atrativo para novos moradores em Rondônia nos últimos anos. Dados recentes do censo demográfico de 2022, feito pelo IBGE, revelam que 5.543 pessoas que moram hoje na cidade residiam em outros estados ou países há cinco anos. O fluxo contribuiu para a cidade ser a que mais cresceu demograficamente no Estado nos últimos 12 anos, visto que apenas neste período analisado foram, em média, 1,1 mil pessoas novas por ano no município vindas de outros Estados.
O levantamento feito pela FOLHA revela que o município é o principal polo de atração populacional de Rondônia, superando a capital e outras grandes cidades na capacidade de atrair novos residentes proporcionalmente ao seu tamanho. Enquanto a média de migrantes no estado de Rondônia é de 2,7% da população, em Vilhena esse índice salta para 5,1%. Ou seja, a cidade atrai, proporcionalmente, quase o dobro de novos moradores do que a média estadual.
Porto Velho, a capital, marcou apenas 3,2% no mesmo índice. Outros polos regionais importantes ficaram ainda mais distantes: Cacoal registrou 2,8%, Ji-Paraná 2,6% e Ariquemes 2,3%. Em números absolutos, embora Porto Velho tenha recebido mais pessoas (16.486) devido ao seu tamanho, o impacto demográfico e a "densidade" dessa migração são sentidos com muito mais intensidade em Vilhena.
Ao analisar a origem desses novos vilhenenses, um vizinho se destaca: o Mato Grosso. Dos mais de 5,5 mil novos moradores, 2.229 vieram do estado vizinho. Isso significa que 40% de toda a migração recente para Vilhena tem origem mato-grossense. Em segundo lugar no ranking de origens aparece o Acre, com 573 migrantes (10,34%), seguido por São Paulo, que enviou 471 novos moradores (8,50%) para a cidade.
Um dado que chama a atenção é a internacionalização da cidade. O quarto maior grupo de novos moradores não veio de nenhum estado brasileiro, mas sim do Exterior. São 362 pessoas (6,53% do total de migrantes) que chegaram a Vilhena vindas de outros países nos últimos cinco anos, um número superior ao de migrantes vindos de estados responsáveis pela colonização vilhenense. Destes 362, pouco mais de 300 são da Venezuela, que passa por crise econômica, social e política grave há muitos anos.
Ainda assim, a presença sulista permanece relevante. Somados, os migrantes do Paraná (338), Rio Grande do Sul (175) e Santa Catarina (65) totalizam 578 pessoas, mantendo a tradição histórica de migração do sul do país para a região.
Esses números reforçam o papel de Vilhena não apenas como uma cidade de passagem, mas como um destino final escolhido por milhares de brasileiros — e estrangeiros — em busca de novas oportunidades no Norte do país.
Fotos
Autor:
Da Redação (Fotos: Reprodução / IA)
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 17 de Dezembro de 2025, às 16:31