Interditado há mais de dois meses pela Agencia Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa), o Centro de Apoio Psicossocial (Caps), entidade que dava assistência pisológica e psiquiátrica a mais de 3.500 pessoas em Vilhena, faz um alerta às autoridades: nos próximos meses pode aumentar o número de suicídios e mortes violentas entre os pacientes.

O Caps, que funcionava no mesmo local onde está instalado o órgão que coordena o trabalho de combate à Aids e Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), terá que ser transferido para um local próprio. A interdição foi pedida pela Agevisa no final do ano passado, mas a direção do órgão local conseguiu uma prorragação do prazo. Porém, recentemente, o Ministério Público, atendendo recomendação da Agevisa, suspendeu todas as atividades (incluindo consultas e emissões de receitas médicas) da entidade.

A Prefeitura de Vilhena, responsável pelas despesas de instalação e manutenção do Caps, alega não ter recursos para bancar a mudança. Com isso, os 3.500 portadores de transtornos mentais, estão desasistidos e começam a lotar as unidades de saúde. E a demora na solução do impasse tende a agravar os problemas.

De acordo com a psicóloga Zilda Golin, há casos graves de problemas psicológicos, que poderão resultar em suicídios e ataques violentos. A profissional de saúde explica que, sem um local de referência, muitos doentes interromperão os tratamentos e poderão sofrer surtos, obrigando a Polícia Militar e os Bombeiros a destacar agentes para auxiliar a família a controlar os pacientes.

Zilda também avisa que, sem acompanhamento regular, muitos portadores de depressão podem recorrer ao suicídio. É um gesto extremo, mas relativamente comum entre os que sofrem do problema e não recebem a devida assistência profissional.