Um dos menores aglomerados urbanos do Cone Sul fica a 11 quilômetros de Corumbiara e a uns 150 quilômetros de Vilhena, cujo acesso, a partir da área urbana corumbiarense, é por uma estrada de chão com fartura de pedregulhos. O nome do vilarejo é Alto Guarajus e conta com, no máximo, 20 residências (não há informações de quantos habitantes). O povoado, que pertence ao município corumbiarense, não tem mercado, não tem farmácia, não tem açougue, não tem hospital, não tem posto de saúde, não tem padaria e quase não pega sinal de celular (em alguns pontos pega da operadora Oi).

 

Assim que uma pessoa estranha chega ao vilarejo já é logo notado e também cumprimentado pela rua. Na verdade, só existem duas ruas e uma avenida em Alto Guarajus. A via pública principal, cuja foto ilustra esta reportagem, é a Avenida Olavo Pires.

 

O pioneiro Antônio Martins, conhecido como Antônio Farinheiro, de cerca de 60 anos, chegou ao vilarejo na década de 1980. A história que o pioneiro conta é curiosa. “Alto Guarajus era maior que Corumbiara, mas só que o nosso povoado ficou para trás no tempo”, diz o pioneiro, que conhece a história do povoado como ninguém.

 

Antônio Farinheiro também diz que a razão para que o povoado alto-guarajuense ter ficado para trás é por causa de uma intriga política. “Na década de 1980, o primeiro prefeito do município sede do povoado, Colorado, deu prioridade para Corumbiara, que na época se chamava Nova Esperança”, explica. Além disso, o pioneiro ainda confirma: “Alto Guarajus já foi maior que Corumbiara”.

 

Atualmente, o povoado está menor ainda. A imensa maioria da juventude local se mudou para centros urbanos maiores, em busca de emprego e estudos, duas coisas que não existem em Alto Guarajus. O resultado é que no vilarejo praticamente não há jovens.