“Desarmaram os empregados e deixaram os invasores armados. Agora, eles estão tocando o terror lá”
Em entrevista concedida ao FOLHA DO SUL ON LINE na tarde desta terça-feira, 23, o zootecnista Altair Kuntz, o “Estrelinha”, se disse indignado com uma ação da Polícia Militar na fazenda Nossa Senhora Aparecida, em Chupinguaia, na manhã de ontem (VEJA AQUI). Prestando assistência técnica na propriedade, Estrelinha disse que, após os empregados da fazenda serem detidos, os que ficaram desarmados no local não conseguiram conter os invasores, que já queimaram uma parte da reserva legal e atearam fogo ao curral.
Kuntz disse que, após três funcionários da propriedade serem detidos e trazidos para Vilhena, seis mulheres que também trabalhavam na fazenda ficaram com medo dos invasores e fugiram para Chupinguaia. Os três homens que ficaram no local viram os invasores chegando e entrando, sem poder fazer nada, por estarem desarmados.
O entrevistado explicou que a Nossa Senhora Aparecida é o que restou da antiga fazenda Santa Elina, palco de um violento confronto entre PMs e sem-terra, que deixou vários mortos, no ano de 1995. Cerca de 16 mil hectares da propriedade foram vendidos ao INCRA, que instalou aproximadamente 400 famílias na área.
Já a fazenda remanescente, que segundo Estrelinha está totalmente documentada, vem sendo ameaçada de invasão desde o ano passado. Os sem-terra que tentam entrar na área pertencem à Liga dos Camponeses Pobres (LCP), e já chegaram a ser retirados da propriedade por uma força-tarefa da Polícia Militar, mas permaneceram nas proximidades e voltaram a invadir a terra.
ASSASSINATO SUSPEITO
O entrevistado disse acreditar que o assassinato de um rapaz de 28 anos, dentro da área invadida, em setembro do ano passado, teria sido cometido pelos próprios sem-terra, como forma de impedir o cumprimento de um mandado de reintegração de posse, conseguido na justiça pelos dono da fazenda.
Segundo explica Kuntz, quando o homem identificado como Dhionata William Raimundo foi morto a tiros, o MP agiu suspendeu na justiça a reintegração de posse, uma vez que o crime seria decorrente de um suposto conflito agrário (CLIQUE AQUI e relembre o crime).
Dizendo acreditar que a morte teria sido arquitetada pelos próprios invasores, Altair diz que os autores do crime fugiram para a Bolívia, onde estão foragidos desde então.
ANIMAIS ABATIDOS
Estrelinha revela (e moradores enviaram um vídeo mostrando a ação, que pode ser visto abaixo) que, após a ação da Polícia Militar, os invasores entraram na fazenda e já mataram cerca 40 cabeças de gado. Ele diz também que 20 quilômetros de cercas foram destruídos, e que os invasores levaram todo o arame retirado do local.
CRÍTICAS À AÇÃO
Para Estrelinha, ao investigar supostas ilegalidades cometidas por policiais militares, os promotores que conseguiram, na justiça, ordem para que a operação fosse realizada na fazenda, acabaram facilitando a ação dos sem-terra. “Desarmaram os empregados e deixaram os invasores armados. Agora, eles estão tocando o terror lá”.
CLIQUE ABAIXO e assista o vídeo.
Vídeo
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 23 de Março de 2021, às 17:37