Site entrevistou três andarilhos, que improvisaram abrigo em hospital
Numa pequena área coberta, anexa ao Hospital Regional de Vilhena, três personagens dividem a mesma sina: perambular pelas ruas e viver da compaixão alheia. O trio retrata uma tragédia silenciosa, que se tornou corriqueira numa das cidades mais ricas de Rondônia: pessoas que, por problemas psiquiátricos, vivem muito abaixo da linha da dignidade humana.
Na manhã deste sábado, 02, a reportagem do FOLHA DO SUL ON LINE conversou com os três sem-teto: uma mulher de 35 anos, com o corpo castigado pela vida nas ruas; um rapaz 6 anos mais novo, com a camisa surpreendentemente limpa; e um idoso negro, de 67 anos, mais de 20 deles perambulando sem rumo.
Os três dizem que ninguém os perturba no abrigo improvisado. A mulher conta que seus muitos problemas psiquiátricos foram o motivo de ter sido expulsa de casa pelas irmãs: “E tomaram meus dois filhos, de 12 e 15 anos”. Ao site, ela revela sua estratégia simples e objetiva de sobrevivência: “eu chego e peço comida mesmo. De fome é que não vou morrer...”
O rapaz revela que se casou com a parceira de infortúnios nas ruas. Relata que perambula desde os 10 anos e explica a inusitada união: “eu tava sem lugar pra morar, e ela também. A gente se gostou e agora eu cuido dela”.
O idoso, que já tem idade para se aposentar, e desfrutar de um mínimo de dignidade, conta que um advogado lhe cobrou 30% para conquistar o benefício: “mas ele pisou na bola e o dinheiro ainda não saiu. Se Deus quiser, vai sair antes de eu morrer”.
Enquanto os dois homens dividem um pacote de fumo fortíssimo, a mulher toma água numa vasilha improvisada e, como bicho solto na natureza, se prepara para tentar garantir sua alimentação diária.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 02 de Novembro de 2019, às 10:07