Assessoria da prefeitura rebateu as declarações dos parlamentares
 
A vereadora Clérida Alves (Avante) apresentou, na sessão de hoje da Câmara Municipal de Vilhena, três requerimentos ao Executivo, dois deles relacionados a Central de Atendimento à Covid-19.
 
Em um deles, a vereadora pede ao Palácio dos Parecis a escala de todos os técnicos em enfermagem e enfermeiros que atuam “UTI Covid”, desde a abertura da ala. No outro, Clérida Alves solicita informações sobre a falta de insumos e medicamentos e até sobre a alimentação destinada aos pacientes com Covid-19 que, segundo argumentou no requerimento, seria inadequada para os doentes.
 
“Ontem recebi uma denúncia da filha de um paciente internado na UTI Covid, de que está faltando medicação para sedação dos doentes. Já a noite, ela ligou novamente e disse que a medicação havia chegado, mas que seria suficiente apenas para sois dias”, expôs a vereadora e continuou: “Nós temos que cuidar disso com muita responsabilidade. Se essas denúncias de fato se confirmarem, é muito grave. Porque esta Casa não tem se omitido, todos os projetos que têm chegado até aqui para atender o Covid, com recursos do Estado ou Federal, essa Casa tem aprovado. E acredito que não se trate de falta de recursos”, ponderou.
 
A vereadora conclui sua fala conclamando os colegas a, após a sessão, se reunirem para formar uma comissão e irem até Hospital Regional e ao almoxarifado a fim de verificar se há a referida medicação. Todos os requerimentos feitos por ela foram aprovados.
 
Quem também se pronunciou sobre o tema foi o vereador Sargento Damassa (PROS). Ele afirmou ter tido acesso a reclamações similares. “Eu fiz contato com o pessoal responsável pela compra, e o que eles explicaram é que tá difícil de encontrar esses medicamentos no Brasil. Mas, compraram, em número reduzido, mas compraram; e deve chegar até quinta-feira”, afirmou.
 
A reportagem entrou em contato com a assessoria da prefeitura e perguntou sobre a falta desses medicamentos. Segundo a assessoria, a UTI destinada aos pacientes com Covid, conta um estoque de sedativos. Mas, revelou a dificuldade em conseguir o bloqueador neuromuscular. “Estamos conseguindo algumas doações que chegam devagar. Esse não é déficit apenas de Vilhena, esse é um déficit do Brasil todo. A fábrica não consegue suprir a demanda pelo medicamento”.
 
Vereador pelo Podemos, Samir Ali também tratou do tema medicamento e citou que os médicos de Vilhena estariam receitando um medicamento fora da cartilha do SUS. “Essa semana eu fui procurado por algumas famílias, que disseram que os médicos aqui de Vilhena têm receitado um medicamento pra pacientes que já estão em estado grave, que não faz parte da cartilha do SUS. A família precisa correr atrás pra comprar esse medicamento, que é de difícil acesso e tem um custo alto, por volta de R$ 2 mil a ampola. As famílias que me procuraram essa semana, uma delas encontrou o medicamento no Acre, a outra no Estado do Paraná”, expôs.
 
Na sequência de sua, fala o vereador defendeu que o município busque meios de comprar o medicamento para que todos os pacientes tenham acesso ao tratamento. “Não podemos permitir que famílias vilhenenses, por não terem condição, deixem de ter a possibilidade do seu ente ter acesso a esse tratamento. O município precisa encontrar um caminho pra comprar esse medicamento, já que os médicos estão receitando, estão enxergando melhora com uso desse medicamento”, pontuou.
 
Sobre esse tema, a assessoria da prefeitura de Vilhena explicou que o medicamento citado pelo vereador é útil contra inflamações e é usado comumente para artrite reumatóide. Ainda de acordo com assessoria, “embora no país inteiro esse medicamento venha sendo usado ‘off label’ (fora das indicações da bula) como tentativa de conter a inflamação generalizada que o Sars-Cov-2 causa, ele não é recomendado pela equipe médica, mas se a família e o paciente optarem e comprarem, os profissionais administram”.