Já foi parar no Ministério Público e tem tudo para se transformar num megaescândalo na cidade de Cabixi, a venda de uma cooperativa agrícola, numa transação suspeita que envolveu indiretamente a própria prefeitura do município.
Fundada em 1984, a Coopermac (Cooperativa Mista Agropecuária do Alto Cabixi) já chegou a ter 200 empregados em seus tempos áureos. No auge de sua prosperidade, a entidade produzia madeira, cereais e gado.
Nos últimos sete anos, a Coopermac estava sendo presidida informalmente pelo vereador Milton Antunes, o Miltão (PR). Cerca de um mês atrás, no entanto, o parlamentar conseguiu a assinatura de supostos sócios e vendeu a cooperativa ao empresário Silvenio Antônio Almeida, que já foi vice-prefeito de Cabixi entre os anos de 2005 e 2008.
O patrimônio repassado ao comprador inclui, além de uma máquina de beneficiamento de cereais, um secador e um barracão, além de uma área de aproximadamente dois hectares em área nobre da cidade (MARCADA EM VERMELHO NA FOTO).
Tão logo adquiriu o imóvel, Silvenio tratou de transformá-lo num loteamento. A prefeitura, numa iniciativa surpreendentemente generosa, instalou rede de água e fez a pavimentação das ruas no empreendimento. O asfalto, inclusive é o mesmo que foi destinado a Cabixi pelo Governo do Estado. O espantoso é que, ao invés de beneficiar vias públicas habitadas, o prefeito Izael Moreira (PTB) tenha optado por oferecer a comodidade numa área em que não há um único morador.
O ex-prefeito de Cabixi, José “Bau” Barroso (PSDB) desconfiou do negócio e resolveu investigar. Descobriu uma série de irregularidades documentais e também constatou que os sócios da cooperativa estavam sendo lesados. Segundo ele, o comprador ficaria com tudo apenas se comprometendo a pagar as dívidas da entidade. Bau acha que o débito alegado pelo vereador não chega à metade do que ele anda divulgando.
O ex-prefeito já acionou o Ministério Público pedindo a suspensão do negócio imobiliário. Enquanto isso, ele já está contatando os sócios-fundadores para reativar a Coopermac. A idéia é reassumir a instituição e fazê-la funcionar, gerando empregos, renda e impostos para o município.