Até o dia 26 de dezembro, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros de Vilhena registraram cerca de 14,4 mil trotes. Comunicações falsas de acidentes, incêndios, crimes e pedidos de socorro são os mais comuns, segundo as corporações. As crianças são apontadas como as principais autoras de trotes e geralmente ligam de orelhões durante o intervalo ou final das aulas. Mas adultos também fazem falsas comunicações, algumas por motivos inusitados. O soldado Fleitson Silva, do Corpo de Bombeiros, recebeu o chamado de duas mulheres que ligaram pedindo socorro, mas quando a viatura chegou ao local elas disseram que queriam apenas ser fotografadas ao lado dos bombeiros.
“Elas disseram que tinham um sonho de tirar umas fotos com os bombeiros para colocar nas redes sociais. Os bombeiros registraram uma ocorrência contra elas por falsa comunicação”, relata Fleitson. De acordo com o Código Penal, passar trote é crime e pode gerar pena de um a seis meses de prisão e multa.
O sargento do Corpo de Bombeiros Ozeni Mosqueira ressalta que por causa dos trotes vidas já foram perdidas em Vilhena. “Certa vez uma criança ligou dizendo que a mãe estava muito doente e que precisava de socorro, daí deslocamos a viatura até local, e quando chegamos descobrimos que era um trote, e nesse mesmo momento um senhor estava tendo um ataque do coração. Ele acabou falecendo porque demoramos a deslocar até o local porque estávamos atendendo a ocorrência falsa. Esse não foi o único caso, passamos por isso várias vezes, infelizmente”.
A policial militar Valéria Ricardo Santos Silva conta que os trotes passados por pessoas adultas geralmente são de pedidos e perguntas absurdas. “Normalmente os homens ligam e ficam perguntando se estamos trabalhando de roupa, falam coisas obscenas. Teve um caso de um senhor que ligou para saber o resultado da Mega Sena, e como eu não sabia informar ele me xingou”.
Para conscientizar as crianças sobre os perigos de passar trotes, o Corpo de Bombeiros realiza palestras nas escolas de Vilhena.