Os portadores de deficiência auditiva em Cerejeiras ainda não têm acesso a um dos direitos básicos que a legislação brasileira lhes oferece. Trata-se da placa específica para automóveis, especificando que o veículo é dirigido por alguém completamente surdo, alertando os outros motoristas ouvintes no trânsito.
A lei brasileira que trata do assunto, segundo representantes dos surdos argumentam, autoriza aos deficientes auditivos a dirigirem, uma vez que o principal sentido requerido na condução de um automóvel é a visão e não a audição.
Mas, para serem autorizados, os condutores surdos precisam usar uma placa de automóvel verde com uma lista vermelha diagonal, conforme a segunda fotomontagem desta matéria demonstra.
Se não tiver a placa, ou além dela, o surdo pode usar um símbolo, que é o desenho de uma orelha branca em fundo azul, com traço branco na diagonal e que pode ser aderida no para-brisa do veículo. Esse símbolo é fruto de um acordo internacional e é adotado mundialmente, do qual o Brasil é signatário. Os dois sinais, a placa e o símbolo, o leitor pode ver na fotomontagem que ilustra esta reportagem.
Entretanto, nenhum dos surdos que dirigem veículos em Cerejeiras tem acesso a qualquer um dos dois itens. Essa sinalização auxilia os motoristas ouvintes, que identificam que o veículo em trânsito é conduzido por alguém que não escuta absolutamente nada e, assim, aumenta a segurança para ambos.
Há cerca de 20 surdos em Cerejeiras, segundo informações passadas por uma educadora no município especializada neste tipo de deficiência. Destes, o site apurou que pelo menos dois são habilitados e circulam pela cidade em veículos motorizados.
Ao FOLHA DO SUL ON LINE, o diretor da Ciretran em Cerejeiras, Carlos Fontana, afirmou que já entrou com um pedido oficial para que essas placas e símbolos sejam implantados no município.
Diante do interesse da reportagem em tratar do assunto, o próprio diretor do órgão que licencia veículos automotores em Cerejeiras prometeu retomar o processo de liberação das placas e símbolos aos surdos. “Foi bom vocês terem falado nisso. Vou reivindicar novamente o andamento desta questão”, disse Fontana ao site.