Gladson Cameli disse que irá recorrer da decisão ao Supremo Tribunal Federal (STF)
 
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou nesta quarta-feira, 6, o ex-governador do Acre, Gladson Cameli (PP) a 25 anos e 9 meses de prisão. Gladson havia renunciado ao cargo em abril para concorrer a uma vaga no Senado em outubro. Com a decisão do STJ, ele está inelegível por oito anos. 
 
Ao ex-governador são atribuídos os crimes de dispensa indevida de licitação, peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A pena deverá ser cumprida em regime inicial fechado. 
 
A decisão unânime terminou com oito votos, incluindo o da relatora Nancy Andrighi. Houve divergência parcial em relação à dosimetria. João Otávio de Noronha, revisor da ação penal, votou por uma pena menor de 16 anos, e foi seguido por outros três ministros. 
 
Em nota publicada nas redes sociais, o ex-governador afirmou que recebeu com "serenidade e absoluto respeito o resultado da votação" e que irá recorrer da decisão ao Supremo Tribunal Federal (STF). 
 
Ainda há oito inquéritos em tramitação dos quais Gladson está entre os alvos. Além do ex-governador, foram denunciados sua ex-mulher, dois irmãos, serviços públicos, empresários e pessoas que teriam atuado como "laranjas". 
 
"Ressalto que essa etapa no STJ não altera de forma alguma a minha confiança no resultado final da Justiça, apenas renova a minha disposição em representar os acreanos. O eleitor do nosso Estado merece ter sua escolha no voto respeitada", escreveu. 
 
A denúncia apontou que Gladson seria chefe de uma organização criminosa acusada de desviar recursos públicos. A empresa Murano Construções teria recebido R$ 18 milhões para realizar obras no Estado em uma licitação da Secretaria de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano do Estado do Acre.
 
Após a assinatura do contrato, a Murano fechou uma parceria com a Rio Negro, empresa administrada pelo irmão do governador, que teria recebido quase R$ 2 milhões. 
 
Ao todo, mais de R$ 270 milhões teriam sido desviados pela organização criminosa desde 2019, ano em que se iniciou o primeiro mandato de Gladson, reeleito em 2022.