Uma reunião que aconteceu na manhã de sábado (20), na sede da Associação de Chacareiros União da Vitória (Ascuv), para tratar da situação das mais de 160 famílias que vivem numa área a cerca de 10 quilômetros da área urbana do município de Vilhena, e que se encontra em litígio. juntou num só lugar, além do deputado federal Padre Ton (PT), os vereadores vilhenenses José Garcia (DEM) e Marcos Cabeludo (PRP), presidente da Câmara. Também marcaram presença no evento o vice-presidente da Fetagro (Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Rondônia), Fábio Meneses; o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vilhena e Chupinguaia, Udo Wahlbrink; o representante do prefeito Zé Rover, Gustavo Valmorbida;  Josep Iborna Plans, da Coordenadoria da Pastoral da Terra, o Pároco da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, Padre Renato Caron, além dos presidentes e mais de 500 pessoas de oito associações de chacareiros e pequenos produtores rurais que somente buscam a segurança de ter a garantia da terra para continuar produzindo para o sustento de sua famílias.

A tranqüilidade das 160 famílias da área da Ascuv foi abalada na semana, passada quando o juiz de Vilhena mandou oficiais de justiça fazerem levantamento na área invadida, inclusive colhendo dados sobre o número de famílias assentadas. As pessoas que estão em cima da terra trabalhando, produzindo, gerando renda para a família e para o município entenderam a iniciativa como uma preparação para a emissão de uma ordem de reintegração de posse. Muitas daquelas famílias já estão ali há mais de 10 anos.

E é nítido que a área, apesar do solo arenoso, tem uma boa produção de hortifrutigranjeiros, e a força da união dos chacareiros em associação já produziu benefícios para a área. Algumas linhas já contam com energia elétrica, parte bancada com verba dos próprios associados.

Também já têm água encanada, obtida com a ajuda da Prefeitura, por intermédio do Saae, que perfurou o poço e escavou as valetas para a rede. Neste caso, mais uma vez os associados meteram a mão no bolso para arcar com os valores referentes à aquisição dos canos para a tubulação.

Outra conquista foi o ônibus que a Prefeitura envia para pegar os alunos para a escola. Além disso, uma vez por mês há atendimento médico e odontológico na sede da associação.

Exemplo de que essas pessoas querem trabalhar é a fundação e implantação de uma cooperativa de produção de aves, que iniciou as atividades no começo do ano e que hoje abate cerca de uma tonelada de frango por semana.

 Mas, tudo isso não traz a tranqüilidade para se trabalhar a terra sem o medo de ter que deixar a casa, o plantio, os animais, e sair às presas por uma ordem de reintegração de posse.            

Esse foi o motivo da reunião que contou com a presença de outras associações que enfrentam a mesma situação que a Ascuv.

E foi falando a todas as associações presentes que o vice presidente da Fetagro, Fábio Meneses, pediu união e empenho para que as metas possam ser alcançadas. “Precisamos seguir o exemplo das mulheres que esta semana juntaram, em Brasília, durante a Marcha das Margaridas, mais de 60 mil trabalhadoras”, cobrou.

O representante da Fetagro ainda se comprometeu em fazer o possível para ajudar a resolver o problema da área. “Essa é uma luta de parcerias e todas as instituições que quiserem ajudar são bem vindas, seja Prefeitura, Legislativo, sindicatos etc”, frisou Fábio.

Apoio também prometeu o representante do prefeito Zé Rover. Gustavo Valmorbida disse que um advogado da Prefeitura estará à disposição da associação para o que for preciso.

O deputado Federal Padre Ton falou sobre da morosidade do Incra e disse que o Instituto briga para retomar a terra, mas quando retoma não regulariza, ou demora muito tempo para isso.

O parlamentar do PT, respondendo pergunta de uma assentada, cuja entidade da qual faz parte está tentando renegociar a divida com o banco, disse que “as pessoas não têm condições de pagar a parcela, porque muitas vezes foi assentada numa área não muito produtiva e tem que sobreviver e ainda quitar um débito fora de sua realidade. Isso tem que ser revisto”, disse.

Respondendo a outro questionamento, dessa vez sobre o programa “Luz Para Todos”, o padre deputado disse que em todo o Cone Sul de Rondônia o serviço está  atrasado porque a empresa vencedora da licitação desistiu de executar a obra. Segundo ele, uma nova licitação está em andamento, o que deve demorar mais pelo menos 90 dias. Mas, ele se comprometeu em acompanhar o processo de perto.

No final, João Mussi Benetti, presidente da Ascuv, julgou produtivo o resultado da reunião. “Embora a nossa situação judicial permaneça inalterada, ao menos conseguimos hoje, apoio de pessoas e entidades com representatividades e que se prontificaram a nos ajudar a permanecermos na terra plantando e colhendo”, concluiu.