Publicação pode entrar em contato com a FOLHA, caso queira se manifestar
 
Em publicação feita na última sexta-feira, 26, o site “Resistência Camponesa” classificou o FOLHA DO SUL ON LINE como “jornaleco-lixo porta voz do latifúndio”. O mesmo texto ataca o Judiciário (“podre”) critica o Ministério Público e relembra o trágico “Massacre de Corumbiara”, que aconteceu em 1995.
 
Este evento sangrento, aliás, foi noticiado pela versão impressa da FOLHA DO SUL, quando ainda não havia internet. Uma equipe do jornal Folha de São Paulo usou, na época, a redação do semanário vilhenense para transmitir textos e imagens para a sede do diário paulistano.
 
Na “reportagem” em que as críticas e ataques foram feitos, também são veiculadas denúncias contra grupos armados que estariam ameaçando famílias assentadas na região. Imagens de cápsulas deflagras ilustram o material, que acusa “guaxebas” de estarem a serviço de latifundiários.
 
O FOLHA DO SUL ON LINE não se importa com rótulos, e ironicamente já recebeu outros, em sentido exatamente oposto ao que agora tenta lhe aplicar a publicação aparentemente ligada aos trabalhadores rurais sem-terra de Rondônia.
 
A reação do veículo, ao citar o site, se deve ao fato de a FOLHA ter entrevistado um prestador de serviços à fazenda Nossa Senhora Aparecida, atacada pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP). Segundo o entrevistado, os invasores causaram destruição e abateram animais na propriedade (LEMBRE AQUI).
 
Por fim, este site esclarece que só não entrevistou nenhum dos membros da LCP ou qualquer outro representante da entidade porque não conseguiu contato. Mas fará isso tão logo alguém do grupo manifeste o desejo de falar. Todas as formas de contato, incluindo celular, estão na página do veículo eletrônico vilhenense. Uma regra básica da justiça (direito ao contraditório), que se aplica também ao bom jornalismo. Estamos à disposição.
 
Já “o outro lado” fez questão de se manifestar em relação aos episódios, que trazem tensão e temor de mais violência na região de Chupinguaia. O último a falar foi o vilhenense Kiko Campo Grande, que teve suas declarações publicadas hoje pelo site (LEIA AQUI).
 
LEIA ABAIXO, na íntegra, o que disse o “Resistência Camponesa” sobre os acontecimentos recentes na zona rural da “Capital do Boi”.
 
Prisão de policiais militares é a senha para ataques contra o Acampamento Manoel Ribeiro

Escrito por Resistência Camponesa|Publicado 26 de março de 2021

A prisão de 3 policiais militares guaxebas, dentre os quais um sargento, além de 1 gerente e 2 empregados do latifúndio Nossa Senhora Aparecida, ocorrida no dia 22 de março no município de Chupinguaia, interior de Rondônia, foi a senha para mais uma escalada de perseguição contra os camponeses do Acampamento Manoel Ribeiro.
 
Desde a data das prisões, foram 3 dias consecutivos de incursões militares da PM na localidade do latifúndio e nas áreas camponesas do entorno.
 
No dia seguinte às prisões (23/03), 6 viaturas foram avistadas na sede da Fazenda Nossa Senhora. Já na tarde do dia 24/03, mais 11 viaturas das polícias civil e militar estiveram na área do latifúndio. E, em 25/03, 4 veículos da polícia, sendo um deles, uma caminhonete preta descaracterizada, circularam pelas áreas Zé Bentão, Maranatã I e II e Renato Nathan.
 
Durante essas incursões, os policiais montaram blitze arbitrárias nas estradas que cortam as áreas revolucionárias e abordaram camponeses à caminho do trabalho e de suas casas.
 
Segundo denúncias dos trabalhadores, em clara atitude persecutória contra as famílias em luta pela terra, durante as abordagens os policiais perguntaram insistentemente informações sobre o acampamento Manoel Ribeiro: se sabiam onde este se localizava, quantas pessoas estão acampadas, quem eram as lideranças etc.
 
Alguns dos camponeses parados pela polícia relataram também que os PMs repetiam exaustivamente saber da suposta existência de armas de fogo em posse dos acampados e buscavam induzí-los a confirmar a absurda acusação.
 
Na manhã do dia 26/03, foram avistadas cerca de 30 caminhonetes grandes, tipicamente usadas por latifundiários, escoltadas por duas viaturas da PM, que se deslocaram do centro da cidade de Chupinguaia em direção à sede do latifúndio Nossa Senhora Aparecida, situação que indica uma possível articulação entre os latifundiários da região.
 
As famílias acampadas já se preparam para possíveis ataques de maiores proporções nos próximos dias.
 
Prisões e apreensões comprovam conlúio do latifúndio Nossa Senhora Aparecida com velho Estado
As numerosas denúncias da atuação criminosa de pistoleiros junto de policiais guaxebas feitas pelas famílias acampadas e camponeses das áreas vizinhas ao acampamento Manoel Ribeiro ficaram comprovadas com uma simples busca nas dependências do latifúndio e nos endereços dos bandidos.
 
O que já era de conhecimento público dos camponeses, agora ganha materialidade em provas: diversas armas de fogo não registradas, 60 munições de diversos calibres, 10 aparelhos celulares e pelo menos 2 carros foram apreendidos.
 
Essa é apenas parte do arsenal militar que era usado pelos policiais contra as famílias acampadas no Manoel Ribeiro, uma vez que denúncias de camponeses vizinhos dão conta de que parte do material militar como capsulas deflagradas e roupas militares foram queimadas antes da chegada da operação de busca e apreensão.
 
Os relatos afirmam que ao saberem de que se tratava de uma busca e apreensão, os pistoleiros que estavam na sede da fazenda avisaram seus comparsas que ficavam em duas outras estruturas usadas como pontos de fustigamento contra o Acampamento Manoel Ribeiro: um retiro e um curral. Este aviso teria dado tempo para que os criminosos queimassem parte das provas de sua atuação belicosa contra as famílias acampadas e, possivelmente, que tenham conseguido retirar e esconder algumas armas.
 
A queima desses materiais pôde ser vista de longe e, mais tarde, vizinhos puderam comprovar que em meio ao material queimado haviam dezenas de cápsulas de grosso calibre.
 
A participação dos policiais, dentre eles um sargento subordinado ao 3º Batalhão de Vilhena, no grupo paramilitar que atuava nas terras griladas pelo latifúndio Nossa Senhora só confirma que continua a vigorar em Rondônia o mesmo modus operandi que resultou no bárbaro crime de Estado em consórcio com o latifúndio cometido em 1995.
 
Passados 25 anos da Heróica Resistência Camponesa de Corumbiara, o velho Estado segue dando suporte financeiro e militar ao latifúndio.
 
Camponeses não se iludem com o velho Estado
Frente às prisões dos agentes da repressão, os camponeses não guardam qualquer ilusão de que o velho Estado ou qualquer um de seus órgãos vão defender os interesses do povo, sabem que daqueles não virá nada além de armadilhas e ataques.
 
As famílias sabem que não podem confiar neste podre judiciário.
 
Este é o mesmo órgão que, em 1995, não entregou para as 600 famílias acampadas na antiga Fazenda Santa Elina as terras griladas pelo latifundiário Antenor Duarte – ação esta que, se tomada, teria impedido os bárbaros assassinatos cometidos por policiais e pistoleiros em 9 de agosto daquele ano. É o mesmo judiciário que mantém impune até hoje os assassinos e mandantes do covarde ataque que torturou, feriu e assassinou dezenas de camponeses, dentre os quais a menina Vanessa Santos de apenas 7 anos de idade.
 
Os camponeses sabem também que não podem esperar nada desse Ministério Público (MP) de Rondônia, que em setembro de 2020 emitiu parecer pela manutenção da ação de reintegração de posse em favor do latifunciário grileiro da Fazenda Nossa Senhora Aparecida.
 
Ministério Público estadual que, neste mesmo documento, referindo-se ao chamado “Massacre de Corumbiara” afirmou sem qualquer pudor: “evento trágico quando estudado a fundo revela um sem números de equívocos de todos os envolvidos na questão, sejam das instituições estatais, seja do povo, porquanto desnuda temas sociais que urgem do Estado olhares concentrados…”; colocando em pé de igualdade os crimes hediondos cometidos por policiais e pistoleiros que assassinaram e torturaram camponeses rendidos e a justa autodefesa dos camponeses que, atacados em plena madrugada por homens fortemente armados, impuseram feroz resistência a fim de protegerem suas famílias.
 
O descaramento do MP é tamanho que classifica sob o eufemismo de “equívoco” as covardes torturas e assassinatos à sangue frio de pais de famílias e crianças cometidas pelo velho Estado em consórcio com o latifúndio.
 
Imprensa-lixo do latifúndio dá vazão ao esgoto reacionário
Não tardou para que a imprensa local porta-voz do latifúndio gritasse reclamando do “desarmamento dos empregados”, vociferando acusações infundadas contra os camponeses e dando repercussão a todo tipo de declarações reacionárias pró-latifundio.
 
A sucursal do monopólio de imprensa extra publicou uma declaração de um entrevistado identificado apenas como “amigo do fazendeiro”, na qual o elemento reacionário conclamava os latifundiários a atacar os camponeses:”Isto está errado. Temos de nos unir mostrarmos a força do agronegócio”.
 
Em meio ao alvoroço reacionário, como de praxe, não faltaram mentiras e reportagens tendenciosas difundidas aos quatro cantos, como as veiculadas pelo jornaleco-lixo porta voz do latifúndio Folha do Sul online, uma das quais afirmava que o latifúndio estaria sendo ameaçado e que armada estaria fazendo a “proteção” da propriedade.
 
O referido veículo, propositalmente sem checar os fatos, publicou uma entrevista na qual um empregado pró-latifundio da fazenda Nossa Senhora Aparecida, sem apresentar quaisquer provas, teria afirmado que a fazenda estaria totalmente documentada.
 
Acusações sem provas também foram feitas contra as famílias acampadas.
 
Até mesmo o latifundiário grileiro que se diz proprietário das terras da Fazenda Nossa Senhora Aparecida, Antônio Borges Afonso – até então desconhecido por todos os moradores da região onde localiza-se sua suposta propriedade – concedeu entrevista à imprensa pró-latifúndio na qual informou ter saiu de sua confortável residência na cidade de São Paulo para esclarecer a prisão de seus funcionários, segundo ele, “trabalhadores inocentes”.