O agricultor Divino Barbosa tem uma missão: ele administra o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Cerejeiras e Pimenteiras do Oeste. A entidade, filiada a Central Única dos Trabalhadores (CUT) representa produtores do campo que, como ele, vive do que a terra dá. O próprio Barbosa tem um sítio de 10 alqueires a 18 quilômetros de Cerejeiras.
Apesar do orgulho de representar seus colegas, Barbosa afirma que algumas coisas o preocupam. Uma delas: a diminuição do número de pequenas propriedades rurais nos dois municípios. “Antes, tínhamos 5 mil associados de Cerejeiras e Pimenteiras. Hoje temos 2 mil”, afirma. Muitos destes pequenos sítios, segundo o agricultor, foram vendidos para produtores que já tinham áreas maiores. “Vários pequenos proprietários venderam suas terras e deixaram a região, ou foram para os novos bairros de Vilhena”, afirma Barbosa. “Alguns foram para lugares novos, como Colniza, no Mato Grosso, ou Buritis, aqui em Rondônia”, complementa. Sobre os motivos destas mudanças, o presidente do sindicato é enfático. “Melhorias. As pessoas só saem do campo em busca de melhorias de vida”.
Para os que escolheram ficar, segundo o presidente do sindicato, os desafios são ainda maiores. Com menos produtores de pequeno porte, a força política da categoria é menor. Barbosa, por exemplo, comenta sobre um trator que o sindicato ganhou para servir aos associados, até agora não foi liberado. “Por falta de um documento, nosso trator está parado e não pode trabalhar”, lamenta.
O futuro, segundo o representante dos pequenos produtores, é incerto para o homem do campo. A agricultura está cada vez mais mecanizada, com modelo empresarial, voltada para produtos de exportação como soja e milho. Dentre todas essas mudanças, o sindicalista arrisca um uma saída. “Acho que a solução para o pequeno produtor seria se diversificar. Tem de produzir o que os grandes não estão produzindo e vender para o nosso mercado interno mesmo”, explica.