Segundo o representante do SintETC/RO a proposta da empresa causa um impacto de 40% nos rendimentos dos servidores
 
Trabalhadores dos Correios de todo o Brasil iniciaram hoje uma greve geral que tem duas reivindicações principais: a manutenção dos direitos adquiridos e contra a privatização da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ETC).
 
Em Vilhena, onde a adesão à greve é superior a 90%, os funcionários dos Correios se agruparam em frente a agência local da empresa. A reportagem do FOLHA DO SUL ONLINE conversou com Valcir da Silveira, representante do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos (SintETC/RO) que explicou os motivos da paralisação e pediu a compreensão da população.
 
De acordo com Silveira, as clausulas trabalhistas da categoria precisam ser renovadas anualmente, o que geralmente ocorre no mês de agosto. Segundo o sindicalista, essas cláusulas são constituídas dos benefícios conquistados ao longo do tempo, e precisam ser renovadas em acordo coletivo.
 
Silveira explicou que, no ano passado após inúmeras tentativas infrutíferas de se chegar a um acerto com os Correios, o acordo coletivo foi decidido pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), que manteve todos os benefícios já existentes, determinou a reposição salarial tendo como base a metade da inflação daquele ano, e determinou que o acordo tivesse a validade de dois anos. “Pelo acordo, a gente não estaria aqui este ano tentando negociar com a empresa, isso se daria apenas em 2021”, pontuou.
 
No entanto, segundo o Silveira, a empresa entrou com um pedido de liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a redução da validade do acordo de dois para um ano. O ministro Dias Toffoli deferiu a liminar, que diminuiu o prazo do acordo. “Respeitando essa liminar, nosso acordo venceu no dia 1º de agosto. Ainda em julho iniciamos uma tentativa de negociação com a empresa, que não se mostrou disposta a conversar”, afirmou.
 
O sindicalista disse que foi sugerido à empresa a prorrogação do acordo até dezembro, quando se espera já se tenha amenizado a pandemia. Mas, a empresa rejeitou a proposta. Silveira disse que houve também uma sugestão feita pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) para que se prorrogasse o acordo enquanto durasse a pandemia. Proposta que também foi rejeitada pelos Correios.
 
Silveira citou ainda um projeto de lei enviado ao Senado Federal propondo a prorrogação de todos os acordos coletivos das empresas, enquanto durasse a pandemia. “Esse projeto de lei também não entrou em vigor”.
 
Após todas essas sugestões, o SintETC enviou aos Correios a pauta de reivindicações na qual defendia a manutenção dos benefícios atuais. “A contraproposta enviada pela empresa retira 70 das 79 cláusulas que o nosso contrato de trabalho tem. Isso gera um impacto de aproximadamente de 40% na remuneração dos funcionários dos Correios”, afirmou Silveira.
 
O servidor afirmou que todas as medidas possíveis foram adotadas para evitar a greve, principalmente pelo momento de pandemia. “Mas, não teve como. Chegou o dia 1º de agosto e a empresa já começou a retirada de direitos. E nós não vamos aceitar essa retirada de direitos”.
 
Outro ponto da pauta grevistas é a briga pela não privatização dos Correios. Para Silveira, os argumentos apresentados pelo Governo à sociedade para justificar a privatização não são, nas palavras dele: “confiáveis”. “Um dos argumentos mais utilizados pelo governo é o de que a empresa não dá lucro para o Estado. Só que os Correios não é uma empresa que foi criada para dar lucro; ela foi criada para ser sustentável. Ela precisa apenas ser sustentável para poder fornecer os serviços de correio em todos os municípios do Brasil”, pontuou antes de continuar: “O outro argumento é da necessidade de abrir o mercado para a iniciativa privada. Não é um argumento fundamentado porque existem centenas de empresas de encomendas atuando no mercado, inclusive temos correios de outros países que atuam no Brasil”, afirmou Silveiro.
 
Para Silveira, em um cenário de eventual privatização dos Correios, diversos municípios ficarão sem serviços de correio. “Essas empresas vão fornecer esses serviços apenas aonde elas possam ter um lucro considerável. A gente acredita que no caso de privatização dos correios muitos municípios vão ficar desassistidos dos serviços de correio”, finalizou.