Nesta véspera de Finados, um fato merece reflexão nos seis municípios menores no interior do Cone Sul: as Câmaras Municipais destas cidades são transformadas em capelas mortuárias por falta de espaços apropriados para a realização de velórios. Na região, apenas Vil hena e Chupinguaia dispõem de instalações apropriadas para este tipo de evento
Nos municípios maiores, e até mesmo nas capitais, somente personalidades expressivas são veladas nas Câmaras Municipais – ou, em alguns casos, nas Assembleias Legislativas ou nos Palácios de Governos. Mas no interior as Câmaras são usadas para suprir essa necessidade. Muitas vezes, as Casas de leis são mais usadas para funerais que para reuniões legislativas, caso de Cerejeiras.
A situação de velar um ente querido se torna fundamental no momento em que se perde alguém da família. No dia mais difícil e mais doloroso, muitas famílias encontram esse problema.
Quando a família frequenta alguma comunidade religiosa, é comum que os corpos de parentes sejam velados em templos das denominações. Entretanto, há casos em que a religião fecha a porta para a realização de um funeral em suas dependências.
Um pastor evangélico, que não quer se identificar, afirma, por exemplo, que enfrenta perseguição na comunidade religiosa em que trabalha se oferecer o templo da igreja para velar uma pessoa que morreu assassinada ou por suicídio. Esse problema ocorre quando o falecido teve uma vida longe do padrão moral imposto pela sociedade ou quando morre em circunstâncias desaprovadas pelos valores sociais. “Eu fui proibido pela igreja de velar uma prostituta há algum tempo atrás”, lamenta o pastor da cidade de Cerejeiras.
Por isso, muitas pessoas procuram o poder público para ter onde velar um ente querido. Até o momento as Câmaras de Vereadores têm sido a solução neste momento mais difícil na vida de uma pessoa.
Autor:
Rildo Costa
Fonte:
FS
Publicado em 01 de Novembro de 2012, às 13:55