Reportagem do site constatou a ocupação ativa nas residências
Prossegue sem solução a ocupação de famílias sem-teto num conjunto habitacional embargado, que estava sendo construído pela prefeitura em Cerejeiras. Cerca de 10 famílias ainda ocupam o local da obra embargada e inacabada. Os sem-teto ergueram barracas e, posteriormente, chegaram a construir casas de madeira.
Nesta semana, o FOLHA DO SUL ONLINE visitou o local da obra embargada. As casas de madeira, junto com as residências de tijolos à vista, agora abrigam estas famílias. Nos quintais das residências há mandioca, banana, milho e outras plantas, o que demonstra que existem pessoas cuidando das propriedades. A reportagem constatou também a presença de crianças, mulheres e idosos entre os poucos ocupantes das casas.
Ao FOLHA DO SUL ONLINE, um dos homens reclamou que o local continua sem energia elétrica e sem rede de esgoto. A Justiça, que tinha dado ordem de despejo, também não mais apareceu ao local. Tampouco apareceram representantes do poder público.
ENTENDA O CASO
Em 2013, a construção de 40 moradias populares, pelo programa do governo federal “Minha Casa, Minha Vida”, em Cerejeiras, foi embargada pela Justiça. Um laticínio, que fica ao lado do terreno onde as residências estavam sendo construídas, numa área do município, entrou com uma ação pedindo o embargo das obras. A indústria láctea alegou que as fossas das casas poderiam contaminar o subsolo e prejudicar o laticínio, que passa por periódicas e rigorosas fiscalizações sanitárias.
Quando foi embargada a construção, já havia sido feita a inscrição das famílias que iriam participar do sorteio das moradias.
O prefeito Airton Gomes (PP), na época em que o empreendimento foi embargado, tentou encontrar uma solução. Mas, com a decisão judicial, o projeto foi travado para financiamento.
A Justiça acatou o pedido da indústria e embargou a obra no mesmo ano de 2013. A construção das casas foi paralisada imediatamente e nunca mais foi retornada.
No ano passado, a Justiça concedeu ordem de despejo para as famílias. As famílias não desocuparam. Um advogado, da Defensoria Pública de Cerejeiras, recorreu da decisão.
Também no ano passado, os vereadores votaram e aprovaram a aquisição de outro terreno para a construção das casas populares. Embora o terreno tenha sido adquirido, a mudanças dessas famílias para o outro local, e a construção das residências populares no outro terreno, é uma realidade que, ao que parece, está longe de acontecer.
Autor:
Rildo Costa
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 08 de Março de 2019, às 09:41