Após vencer a doença, profissional da limpeza voltou ao trabalho
 
Em meio uma pandemia que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é o maior desafio que o mundo já enfrentou desde a 2° Guerra Mundial, é comum homenagens a profissionais por estarem na linha de frente do combate ao Coronavírus, porém, a grande maioria se esquece que a área da saúde não é formada apenas por médicos e enfermeiros, mas também por uma classe sem a qual qualquer sistema para: os profissionais da limpeza.
 
Devido a divulgação de casos de enfermeiros e médicos que contraíram o vírus e se curaram (ou infelizmente não resistiram), a reportagem do FOLHA DO SUL ON LINE procurou mulheres “guerreiras”, que enfrentam todos os dias a responsabilidade de manter limpos os postos de saúde de Vilhena, adaptados para atender pacientes com sintomas da Covid-19.
 
Uma delas é Ione Bernardo, de 45 anos, que atua a pouco mais de um ano na Unidade Básica de Saúde do Bairro 5° Bec, onde também reside.
 
A zeladora, que contraiu o vírus durante o trabalho e felizmente se curou sem a necessidade de internação, falou com a reportagem do site e relatou os momentos de angústia que viveu.
 
Quando questionada sobre como reagiu ao saber que a saúde não podia parar em meio à pandemia, Ione afirmou ter sentido muito medo, não somente por ela, mas pelo fato de morar com mais quatro pessoas, entre elas uma filha grávida e dois netos ainda crianças.
 
“Eu sabia que não ia ser fácil, mas sei que a saúde não é feita só pelos enfermeiros e médicos, somos uma família e meu trabalho também é essencial”, relatou Ione.
 
Mesmo tomando todos os cuidados exigidos, o contágio não pode ser evitado e a zeladora se diz agradecida aos profissionais do próprio posto de saúde onde trabalha, pois foi muito bem assistida durante o tratamento, apesar do medo de complicações e de contaminar alguém de sua família.
 
“O desespero maior é quando você testa positivo, pois todos os dias a gente vê pessoas morrendo, mas Graças a Deus meus sintomas foram leves e pude me tratar em casa e sem contaminar ninguém da minha família, que era minha maior preocupação”, afirmou.
 
Após 14 dias do contágio, Ione já estava de volta ao trabalho, porém, continua reforçando os cuidados para evitar levar o vírus para seus familiares, uma vez que ela ainda pode ser um veículo de transmissão por estar sempre em contato com secreções de pessoas com a Covid-19.
 
“Quando chego em casa, tiro minha roupa na lavanderia e, antes de ter contato com objetos ou alguém da família, eu tomo banho”, relatou a zeladora.
 
Ao ser solicitado que deixasse uma palavra de apoio aos colegas de trabalho, Ione desabafou: “Me sinto uma vitoriosa e para os meus companheiros de trabalho, que sei que tem muito medo de serem contaminados, quero dizer que todos somos guerreiros e temos que manter a fé. A saúde precisa de nós e não temos que nos deixar abater pelo número de pessoas que infelizmente perdermos, e sim pelo número que salvamos, que graças a Deus é muito maior. Parabéns pra nós”, concluiu.