Evitando falar sobre a prisão do secretário de Terras, Bruno Pietrobon, feita pela Polícia Federal no início da tarde de sexta-feira, o prefeito Zé Rover (PP) está sendo aconselhado a usar a mesma estratégia empregada pelo presidente Lula, quando alguns de seus subalternos foram flagrados em situações constrangedoras. O “Eu não sabia”, a expressão que ficou famosa nos lábios presidenciais, vem sendo pronunciada pelo mandatário desde que o escândalo da Semter explodiu.

O secretário-adjunto de Comunicação, Ribamar Araújo, não confirma a tática, mas faz questão de livrar Rover de qualquer envolvimento no caso. “O prefeito realmente não tinha conhecimento de nada. Tanto que ficou surpreso quando lhe dei a notícia sobre as prisões”.

Surpreso ou não, Rover foi rápido para tomar uma providência: exonerar Bruno e Ademir Alves, assessor da Semter, detidos pela PF sob acusação de pedir propina para incorporar uma área rural ao perímetro urbano. A dispensa dos dois foi determinada horas após a prisão, segundo a Semcom. A justificativa apresentada para a medida seria “possibilitar que o trabalho da Polícia Federal seja executado sem interferências”.

SABIA OU NÃO SABIA? – Em relação ao caso específico que provocou a ação da PF, o prefeito goza do benefício da dúvida. A situação só muda se as conversas gravadas pela polícia contiverem algum diálogo revelando sua ciência ou participação no esquema. A PF, no entanto, não tornou pública sequer as prisões, quanto mais os detalhes do grampo.

Se, por um lado, o prefeito tem argumentos para se livrar do problema, alegando ignorância quanto à tentativa de extorsão, em relação às suspeitas de que havia irregularidades na Semter, ele não tem o que dizer. A titular da Pasta desde o início de sua administração, advogada Vera Paixão, lhe alertou sobre o que acontecia no órgão. Ela chegou a propôr que o prefeito fizesse mudanças na Semter, para evitar uma ação do Ministério Público, já que eram visíveis as irregularidades praticadas ali. Rover não só ignorou os avisos de Vera, como aceitou sua exoneração.

Antes de nomear Bruno para o cargo, o prefeito foi chamado pela Associação Comercial e Industrial de Vilhena (ACIV) para discutir a idéia. A entidade recomendou que Rover escolhesse outro nome e ele concordou, mas acabou ignorando o apelo e manteve a escalação de Bruno, que é filho de seu principal conselheiro, o advogado Carlos Pietrobon.