O ano de 2009 foi de novidades no panorama político vilhenense. Assumiu a prefeitura um “calouro”. O comerciante Zé Rover (PP) foi vereador durante dez meses e, antes, nunca havia sido experimentado no serviço público. Assumiu, de cara, a cadeira mais cobiçada da cidade-pólo da região do Cone Sul.
Desafiado, testado e comparado o tempo todo pelo ex-comandante da cidade, o ex-prefeito Melki Donadon (PHS), Rover chega ao primeiro ano de mandato como um campeão de troca de secretários, além de ter sido obrigado a dar mil explicações sobre seus atos controvertidos.
Com tão pouco tempo de mandato, o “calouro” passou pelo perrengue de ter sido ameaçado até de cassação. Um médico chegou a pedir a abertura de uma CPI para cassá-lo por causa de supostas irregularidades na UTI (unidade de tratamento intensivo).
A Câmara de Vereadores atual é das mais esbanjadoras e tumultuadas da história, tendo um de seus membros cassado e outro, preso. A mesa diretora também é conduzida, em sua maioria, por iniciantes na política.
Escândalos não faltaram. Como se verá a seguir na RETROSPECTIVA 2009 preparada pela reportagem de Política da FOLHA.
JANEIRO
- 1º – O taxista Carmozino de Souza (PSDC) é eleito presidente da Câmara de Vereadores e lidera o “Grupo dos Oito” (reduzido a sete com a cassação de Rosivaldo Paiva) que eleva o valor das diárias, causando protestos e indignação na cidade. Apesar do desgaste, ele manteve o valor de R$ 500 das diárias.
- 1º – No discurso enquanto candidato, Zé Rover (PP) era terminantemente contrário ao nepotismo. Já no poder, nomeou a própria mulher como secretária municipal de Assistência Social. A Justiça chegou a determinar, em 11 março, o afastamento dela do cargo. A pasta ficou sem titular e Rover recorreu junto ao Supremo Tribunal Federal e conseguiu uma liminar para que a primeira-dama retornasse ao comando da secretaria em 1º junho.
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FEVEIREIRO
- 10 – Depois de uma briga com médicos da rede pública, que começou tão logo ele assumiu o cargo de secretário de Saúde, Jacier Dias (PSC) foi demitido por Rover. Jacier acusou, na época, que havia médicos ganhando até R$ 30 mil mensais em salários, gratificações e horas-extras. A categoria desmentiu.
- 21 – Rover e seu chefe de gabinete, Gustavo Valmórbida, foram fotografados juntos com seus familiares em um hotel de luxo em Cuiabá (MT). Mensagens anônimas por e-mail davam conta de que as despesas teriam sido pagas pela prefeitura de Vilhena. Foi preciso o prefeito convocar uma entrevista coletiva para apresentar à imprensa notas fiscais e cópias de faturas de cartões de crédito que comprovariam que as contas teriam sendo arcadas por ele.
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MARÇO
Críticas não faltaram ao prefeito Zé Rover por causa da falta de investimentos no Vilhena Esporte Clube que disputava a Copa do Brasil e Campeonato Estadual. A crise política foi atenuada quando Rover foi ao comércio pedir donativos para ajudar a custear as despesas alegando que a prefeitura não tinha como ajudar por causa de problemas na contabilidade do time.
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ABRIL
- Sob pressão de vereadores depois que mandou demolir uma casa construída irregularmente em um área verde, Vera Paixão pede exoneração da Secretaria de Terras. Rover teve que ir à imprensa dizer que não sabia da ordem dada pela secretária e prometeu indenizar a família que teve a casa derrubada.
5 – O empresário Alberi Rodrigues, dono da indústria gráfica Leonora e principal financiador da campanha de Rover, pediu demissão do cargo de secretário municipal de Indústria e Comércio. Logo em seguida, apareceu o motivo: era mais lucrativo ele alugar imóveis particulares para a prefeitura.
27 – Sete vereadores elegeram, com quase dois anos de antecedência, a nova mesa diretora da Câmara. O novato Marcos Cabeludo (PRP), um dos parlamentares mais inexpressivos e medíocres, foi escolhido presidente para o biênio 2011-2012.
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MAIO
Uma servidora “fantasma” da Câmara denunciou o vereador Pedro Panta (PRP) por usá-la para receber para si cerca de 80% do salário de R$ 2500 que, em tese, seria dela.
7 – O secretário de Saúde, João Weiber, pediu demissão do cargo. Ele reclamava de intervenções “externas” em sua pasta. No entanto, 24 horas depois ele decidiu voltar atrás e permanecer no cargo, sob a condição de ter “plenos poderes”.
8 – A ONG Observatório Social de Vilhena, criada para investigar ações dos poderes constituídos, nasceu de forma irregular. O presidente eleito, Jaime Baggatoli, contrariou um dos pré-requisitos para ocupar o cargo: não ser filiado a partido político. Ele estava no PR.
16 – Sem espaço na administração, o PSB pressionou o prefeito Zé Rover por cargos que teriam sido prometidos durante a campanha. O partido chegou a dar um prazo para que Rover se manifestasse; ele silenciou. Depois da saída rumorosa da advogada Vera Paixão da secretaria de Terras, com somente três meses no cargo, ninguém do PSB assumiu nenhuma secretaria.
18 – A agência de publicidade Águia, que havia comandado no ano passado a campanha eleitoral de Zé Rover (PP) para prefeito, venceu uma licitação suspeita para administrar as verbas da prefeitura por dois meses.
30 – A então procuradora-geral do Município, Astrid Senn, disse que Vera Paixão a ex-secretária de Terras pediu exoneração porque sua relação com Rover estava “estremecida”. O desgaste teria ocorrido, segundo Senn, depois de Vera ter assinado 42 minutas de escrituras públicas sem autorização do prefeito. O caso chegou a Ministério Público. Em sua defesa, Vera alegou que “o que houve foi a regularização de processos antigos que estavam em andamento desde a administração anterior”.
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JUNHO
7 – O vereador Jacy Alves de Souza (PMDB) foi à tribuna para dizer que a colega Eliane da Emater (PV) era “cínica, hipócrita, demagoga e que posa de santa”. De acordo com Jacy, Eliane sempre critica o valor de R$ 500 das diárias, mas que usa da prerrogativa e chegou a viajar junto com a babá de seus filhos às custas dos cofres públicos. Eliane desmentiu e pediu provas a Jacy.
16 – Neste dia, a Câmara de Vereadores realizou a primeira de uma série de sessões relâmpagos. Em 50 minutos, eles aprovaram 20 projetos para “limpar a pauta” emperrada desde o começo do ano. Nesta reunião ficou evidente que havia melhorado a relação entre Executivo e Legislativo. No dia 20, numa sessão extraordinária, os vereadores bateram o recorde deles mesmos: aprovaram 17 matérias em incríveis 5 minutos.
24 – A Associação Comercial e Industrial de Vilhena liderou uma mobilização convocando lideranças a trancar o trânsito da BR 364 e fechar o comércio. A manifestação foi contra o processo de cassação do mandato do governador Ivo Cassol (PP), acusado de compra de votos nas eleições de 2006.
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JULHO
18 – Com apenas seis meses de mandato, o vice-prefeito Jacier Dias se anunciou como possível candidato a deputado federal durante encontro regional do PSC em Vilhena.
18 – O prefeito Zé Rover se irritou ao tomar conhecimento, pela imprensa, que seu então secretário de Administração, Jair Azevedo, tentou despejar por ofício o coveiro Ercílio Borher Sobrinho da casa onde ele mora em frente ao cemitério. “Ele fica”, sentenciou Rover, desautorizando o subalterno.
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AGOSTO
14 – Alegando a necessidade de se ausentar do município para um tratamento médico em Brasília, João Weiber pede demissão – pela terceira vez – da secretaria municipal de saúde “em caráter irrevogável”.
- 18 – A vereadora Eliane da Emater denunciou haver despesas excessivas na Câmara Municipal. Reparos em computadores custaram R$ 79 mil por um período de nove meses e R$ 125 mil foram gastos em diárias até aquela data.
- 21 – O secretário de Terras, Bruno Pietrobon, e seu assessor, Ademir Alves de Lima, foram presos dentro da prefeitura pela Polícia Federal. Eles foram “grampeados” pedindo propina para um empresário em troca de acelerar um processo para transformar em área urbana um imóvel rural.
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SETEMBRO
- 1º – Depois de um período de trégua, Zé Rover e vereadores voltaram a se desentender. E desta vez em público. O prefeito foi a Câmara com servidores e, em meio ao público, protestou para que os vereadores votassem três projetos prevendo reformas na administração sem sequer lê-los. As matérias haviam sido protocoladas um dia antes e questões polêmicas como o aumento salarial de 200% para os advogados da prefeitura e a criação de mais duas secretarias.
- 3 – Confirmada pelo Tribunal Regional Eleitoral a cassação do vereador Rosivaldo Paiva (PSDC).
- 7 – O governador Ivo Cassol (PP) e o prefeito Rover inauguraram a unidade de tratamento intensivo (UTI) do Hospital Regional. A solenidade reuniu algumas das lideranças mais expressivas do estado, mas apenas um vereador vilhenense – Elias Músico (PSC) - compareceu. Na ocasião, Cassol voltou a atacar os vereadores vilhenenses. Cobrou diminuição das “mordomias” para sobrar mais recursos para a saúde.
- 28 – José Cechinel (PSC) tomou posse como vereador, assumindo a cadeira de Rosivaldo Paiva. Ele foi cassado por corrupção eleitoral. O presidente da Câmara, Carmozino Taxista (PSDC) se negou a dar posse ao suplente e, por isso, foi punido pela Justiça Eleitoral, sendo afastado do cargo até que Cechinel assumisse o cargo.
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OUTUBRO
- 4 – Zé Rover anuncia que não ouviria mais os programas de rádio porque já não suportava “o festival de fofocas” e “notícias distorcidas”. No mesmo dia, o deputado Luizinho Goebel (PV) disse que não era a mídia, mas sim alguns assessores do próprio Rover que espalhavam boatos e faziam de tudo para que os dois brigassem.
- 6 – O vereador Pedro Panta (PRP) foi preso pela Polícia Civil sob a acusação de reter parte dos salários de assessores, além de coagir testemunhas do processo que responde pelo suposto crime.
- 20 – A Câmara de Vereadores rejeitou, por unanimidade, o pedido de instauração de uma CPI (comissão parlamentar de inquérito) para apurar supostas irregularidades na UTI, apontadas pelo médico Sérgio Belém.
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NOVEMBRO
- 3 – O prefeito Zé Rover acusou, pelo rádio, o empresário Jaime Baggatoli, presidente da ONG Observatório Social, de dever R$ 1,7 milhão em impostos municipais e ter uma filha que foi “fantasma” na prefeitura. Jaime ameaçou processar Rover pelas declarações “caluniosas”.
- 7 – Recém exonerado como secretário de Esportes e Cultura, Dirceu Hoffmann assinou ordem de serviço para reformar a feira-livre do BNH, como procurador do irmão dele, dono de uma empresa de construção civil.
- 18 – O deputado federal Natan Donadon (PMDB) reclamou em entrevista à imprensa que o prefeito Rover teria “esquecido” de dizer durante a Conferência Municipal de Cultura que os recursos – R$ 235 mil – para a reforma do museu Casa de Rondon são frutos de uma emenda individual do parlamentar.
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DEZEMBRO
- 4 – Em entrevista exclusiva à FOLHA, o governador Ivo Cassol surpreendeu ao dizer que pensa na hipótese de ser candidato a deputado federal em 2010, e não mais a senador.
- 15 – Sete vereadores subscreveram um Projeto de Lei aumentando em torno de 25% o salário do prefeito e 53% o dos secretários municipais. Os reajustes causariam um impacto de R$ 433,2 mil por ano. Depois de muita polêmica e críticas da população, os parlamentares decidiram retirar a matéria de pauta.
- 16 – A Câmara Municipal votou, em sessão extraordinária, o Orçamento Municipal de 2010, que chega a R$ 106 milhões.