Parece inacreditável, mas um agente penitenciário que trabalha no presídio inaugurado há menos de dois meses em Vilhena garante: a maioria dos detentos que cumprem pena no local implora para retornar ao antigo “cadeião”. Mesmo dispondo de um ambiente mais arejado e melhor organizado, os apenados não se acostumam à rotina do estabelecimento, onde as regras são mais rígidas.
De acordo com o agente que deu as informações ao FOLHA DO SUL ON LINE e que, por razões de segurança, preferiu não se identificar, nenhum incidente foi registrado no complexo até agora justamente por causa das normas de segurança, que são seguidas fielmente tanto pelos funcionários quanto pelos presos.
Hoje, segundo a fonte do site, 204 homens estão detidos no presídio. “O máximo permitido por cada cela são oito pessoas”, revela, acrescentando que as visitas acontecem sempre aos sábados, quando grupos de 15 detentos podem receber os parentes. Há também compartimentos para encontros íntimos entre casais.
Mas, enquanto na velha cadeia, onde ainda restam cerca de 40 pessoas encarceradas, o controle do que entra e sai é mais “liberal”, no presídio os procedimentos são implacáveis. Para começar, um detector impede a entrada de produtos de metal e eletrônicos, como armas e celulares. “Na unidade do centro era comum preso armado e fazendo ligações”, lembra o agente. Também existe um equipamento importado dos Estados Unidos que denuncia quando um visitante leva drogas ao corpo.
Por causa da dificuldade para receber os produtos que vêm de fora, os presidiários ignoram a comida mais elaborada e as celas mais confortáveis. “O que alguns querem mesmo é voltar a usar drogas”, resume o autor das denúncias.