A piscicultura de Rondônia expandiu-se significativamente nos últimos cinco anos. Em 2005, um diagnóstico apontou que a produção total do Estado era de 5,5 milhões de alevinos. Em 2010, apenas um produtor do município de Pimenta Bueno é responsável por colocar no mercado esse mesmo montante. A qualidade registra melhora devido ao projeto “Rastreabilidade do Tambaqui de Rondônia”, que teve início em 2005.
Eles desconfiavam que a consanguinidade, o grau de parentesco entre alevinos de ascendência comum, fornecidos pelos laboratórios do Estado, seria muito alta. “A consanguinidade não deve ser aleatória, pois pode gerar problemas, como o risco de o alevino nascer com escoriações na lombar e ser suscetível a doenças”, explica Danilo Streit, consultor responsável pelo projeto no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), entidade que atua em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na iniciativa.
De acordo com Streit, a suspeita dos produtores não foi comprovada, mas o fato motivou a equipe de pesquisa do Núcleo de Pesquisas PeixeGen, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Paraná, a avaliar a variabilidade genética dos plantéis comerciais de Rondônia. “O resultado demonstrou que havia alta variabilidade genética destes plantéis de reprodutores de tambaqui, muito embora tenham a mesma origem fundadora”, diz o consultor.
O projeto de Rastreabilidade do Tambaqui de Rondônia busca desenvolver peixes gerados por reprodutores com origem genética conhecida e engordados em sistema de produção que não libere dejetos para o meio ambiente. “Trata-se de uma espécie nativa da Amazônia, com identificação genética da origem. Isso possibilita um pacote de produção melhor e com menor custo, com valor agregado”, ressalta Streit.
O Laboratório Piscigranja Boa Esperança, em Pimenta Bueno, é um dos parceiros do projeto na produção dos alevinos. Há cinco anos, esse laboratório produzia 1,2 milhão de tambaquis por ano. Em 2010, a produção já ultrapassa 5 milhões, em 45 tanques. “Não adianta trabalhar com piscicultura sem apoio técnico. Com a rastreabilidade, o peixe, que antes demorava 11 meses para alcançar dois quilos, hoje leva sete meses para atingir o mesmo peso”, conta Neguni Yokoyana, proprietário do Piscigranja.
Os alevinos recebem um microchip contendo informações de sua origem. Com a rastreabilidade do tambaqui, o criador engordará um peixe com origem genética conhecida e terá disponível um pacote de produção desenvolvido para a espécie a partir das condições locais. O projeto está no momento de certificação dos plantéis utilizados para se produzir o peixe. “Estimamos que em meados de 2012 este projeto esteja concluído. A ideia é replicarmos a experiência para, pelo menos, 300 produtores em Pimenta Bueno", prevê o consultor do Sebrae.