Sem uma oposição sistemática ao prefeito na Câmara Municipal, tem cabido ainda ao Partido dos Trabalhadores (PT) – mesmo sem ter elegido sequer um vereador – o papel de principal crítico da atual administração. Recentemente, o PT promoveu um encontro municipal para debater com os filiados a posição que a legenda deve tomar em relação à administração do prefeito Zé Rover (PP).
Por unanimidade, os filiados aprovaram que “o tempo de aguardar as medidas de mudanças prometidas pelo prefeito se esgotou”. O PT decidiu, oficialmente, que irá exercer sobre a Administração Municipal pressão no sentido que estas mudanças sejam cumpridas em seu mandato.
O ex-candidato a prefeito petista Mauro Bil, que manteve um tom bastante crítico em relação a Rover na campanha eleitoral de 2008, lembra que, naquela fase, a hoje primeira-dama, Lizângela Rover, declarou em entrevista à FOLHA DO SUL, que se seu marido fosse eleito ela não assumiria a Secretaria Municipal de Bem-Estar Social. “Ela entendia que se tratava de nepotismo. Após a eleição foi nomeada, e aceitou prontamente”, enfatiza Bil.
A justiça de Vilhena pediu a exoneração de Lizângela, mas a administração recorreu até o Supremo Tribunal Federal para reconduzi-la ao cargo. “Poucos brasileiros têm condições financeiras de apelar no STF”, recorda Bil. O que causa admiração ao ex-vereador “é a distância enorme entre o discurso de campanha e a prática política, desrespeitando a ética, ao prometer uma coisa e fazê-la depois completamente ao contrário aos interesses populares, praticando o nepotismo”.
Mauro Bil avalia que, em sua visão, para ser titular da Sembes seria preciso formação na área da Assistência Social. “Numa eventual administração petista, a participação de minha esposa seria a de minha conselheira e, é claro, sem remuneração.”
Afora este caso envolvendo a primeira-dama, Bil diz ter conhecimento de outros atos de impessoalidade na administração. “As ações são marcadas pela pessoalidade em detrimento a coisa pública”, acusa. O petista afirma, ainda, que “cada secretário tem uma direção e um grupelho político por trás, querendo se dar bem. Alguns Vereadores mostram suas garras tirando e colocando secretários na administração, certamente para facilitar manobras escusas”.
Apesar de ter perdido “feio” a eleição para prefeito, Mauro Bil não desistiu de participar de futuras eleições. No ano passado chegou a anunciar que deixaria o PT, mas permaneceu na legenda e agora diz que “é possível que coloco meu nome à disposição para as próximas eleições”.