“Eu me vi naquela menininha, e ela me falou, com muito esforço, que vai lutar pela vida, como eu fiz”
Numa palestra ministrada esta semana na Escola Castelo Branco, da rede municipal de Vilhena, a neuropsicóloga Franciléia Teixeira Silva reviveu a época mais dramática de sua vida, mas levou esperança a uma menina de 13 anos, que está passando pela a mesma experiência dolorosa que ela enfrentou mais de 20 anos atrás.
Nascida em Cerejeiras, a profissional se mudou para Vilhena quando tinha 01 ano de idade. Aos 10, ela deu entrada no Hospital Regional, onde os médicos a diagnosticaram com o que seria uma sinusite crônica. Numa segunda avaliação, desta vez feita em um hospital particular, os médicos descobriram que a criança estava com tumores na cabeça.
Transferida às pressas para o hospital João Paulo II, em Porto Velho, Franciléia já estava paraplégica e quase sem a visão, enxergando tudo duplicado. Como o problema que afetava também sua coordenação motora não foi descoberto na capital de Rondônia, a cerejeirense de nascimento e vilhenense por adoção precisou ser encaminhada para Cuiabá (MT).
O calvário da garotinha parecia não ter fim, e o ônibus no qual ela viajava, mesmo naquelas condições, capotou próximo à cidade de Cáceres, a mais de 200 km de seu destino. Neste momento, ela ficou completamente cega.
Quando finalmente chegou em Cuiabá, alguns profissionais de saúde chegavam a insinuar que a paciente deveria pagar pela cirurgia que poderia salvá-la na rede particular. “Mas como a filha de um agricultor e de uma costureira poderia por aquele procedimento?”, questionou, na entrevista ao FOLHA DO SUL ON LINE, concedida por telefone.
Graças a algumas pessoas que se comoveram com sua situação, uma ação na justiça garantiu que a cirurgia da garotinha fosse feita em pleno feriado: dia 21 de abril do ano 2000, quando o Brasil comemorava os 500 de sua descoberta.
A partir da intervenção, a neuropsicóloga recuperou seus movimentos, a visão e a confiança para seguir estudando e chegar até a faculdade, mesmo vindo de uma família humilde.
Ao comentar a palestra ministrada na escola municipal, Franciléia disse que se emocionou com a luta da garotinha, que se chama Luana, a quem deu esperança de se recuperar através do próprio exemplo de fé. A pequena aluna também está com a mobilidade reduzida, com tumores no cérebro e falando com dificuldades
“Eu me vi naquela menininha, e ela me falou, com muito esforço, que vai lutar pela vida, como eu fiz”, revelou a profissional, que também conversou com a mãe da estudante, que acompanhou a filha em seu primeiro dia de aula presencial.
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Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 15 de Abril de 2023, às 08:24