Emmanoel lembrou que críticas não podem virar ofensas
Em artigo enviado ao FOLHA DO SUL ON LINE, o professor da Unir em Vilhena, Francisco Emmanoel Silveira, resolveu se pronunciar em relação aos ataques desferidos contra os índios em reportagens de sites e nas redes sociais, após dois episódios policiais envolvendo membros da etnia Enawenê Nawê. Leia aqui e aqui.
O educador disse se sentir incomodado com as manifestações de leitores contra os silvícolas e denuncia que, em alguns casos, elas ultrapassam os limites da crítica para se tornarem ofensas e incitação ao crime contra os “povos da floresta”. Alguns
Leia abaixo, na íntegra, o texto do acadêmico:
A CULTURA E O POVO INDÍGENA AMAZÔNICO
Segundo Historiadores, antes da chegada dos europeus à América, havia aproximadamente 100 milhões de índios no continente. Hoje temos dados do IBGE (2010) mostrando que, no Brasil, são de 896 mil indígenas distribuídos entre litoral e interior.
A Constituição Federal de 1988 reconheceu a capacidade civil dos povos indígenas e avançou na ampliação e garantia dos seus direitos, alinhando-se à Convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), à Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, da Organização das Nações Unidas (ONU), instrumentos jurídicos internacionais que referenciam o campo do indigenismo ( Fonte Funai).
Temos Leis e garantias para a proteção e dos povos indígenas em todo o território nacional. A cultura e suas lendas pouco exploradas são uma verdadeira riqueza do nosso Brasil. Em relação a sua cultura indígena é diferente da cultura mercantilista imposta desde o século IX.
A organização social dos índios
Entre os indígenas não há classes sociais como as do homem branco. Todos têm os mesmos direitos e recebem o mesmo tratamento. A terra, por exemplo, pertence a todos e quando um índio caça, costuma dividir com os habitantes de sua tribo. Apenas os instrumentos de trabalho (machado, arcos, flechas, arpões) são de propriedade individual. O trabalho na tribo é realizado por todos, porém possui uma divisão por sexo e idade. As mulheres são responsáveis pela comida; crianças, colheita e plantio. Já os homens da tribo ficam encarregados do trabalho mais pesado: caça, pesca, guerra e derrubada das árvores.
O governo e seus entes federal, estadual e municipal e toda a sociedade tem que respeitar os princípios por eles garantidos. Não podemos nos comparar com esta cultura que é bonita e civilizada, grandiosa em seus costumes, tradição e lendas. Se algum indígena cometeu um ato ilícito, temos instrumentos para puni-lo, mas sempre garantindo também seus direitos individuais.
Encerro aqui com as palavras do indianista e colonizador Marechal Rondon: “Morrer se preciso for, matar nunca!”
Francisco emanoel Silveira, Prof.Adm. da Universidade Federal de Rondônia – Campus Vilhena