Embora não tenha sido proposto pelo prefeito Zé Rover (PP) e sim pela Câmara, o reajuste de salários do primeiro escalão municipal está causando desgaste apenas ao chefe do Executivo. Rover argumenta que a idéia de elevar dos atuais R$ 12 mil para R$ 14.900 os seus vencimentos partiu da Câmara, já que tal matéria não pode partir da Prefeitura. A explicação procede, mas há evidências de que secretários de Rover fizeram um acordo de bastidores para que a matéria fosse apresentada. A justificativa para o reajuste é que essa seria a única maneira de aumentar a remuneração de médicos, já que a categoria não pode receber salários acima do que é pago ao prefeito.

Reunidos agora a pouco, alguns secretários decidiram, com o aval de Rover: mesmo que o aumento seja aprovado, ele não receberá o valor atualizado. “Estabelecemos apenas o teto, mas o prefeito vai continuar com o subsídio antigo. Queremos apenas resolver a situação dos médicos”, ressaltou Gustavo Valmorbida, chefe de Gabinete.

Já o vice-prefeito Jacier Dias, que iria de R$ 6 mil para R$ 9 mil, recusou oficialmente a generosidade da Câmara. Num ofício encaminhado aos vereadores, o vice pediu que seu nome fosse retirado da proposta. E justificou: “Não há necessidade de reajuste para mim. Quanto ao prefeito, entendo a situação, pois é preciso que seu teto seja elevado para que os médicos não continuem recebendo acima do permitido”. Já os secretários municipais deverão ter seus salários aumentados de R$ 4.500,00 para R$ 6.900,00.

CÂMARA DECIDE – O reajuste dos salários da cúpula municipal devem ser votados ainda esta semana pelos vereadores. Por enquanto, apenas três parlamentares já se mostraram contrários à proposta. Há, mesmo entre os que vão votar favoráveis à matéria, o temor de que o prefeito vete o reajuste: “Pode acontecer de o Rover vetar o que for aprovado. Aí, o desgaste acabaria sobre a gente”, revelou um parlamentar, sob a condição de não ter seu nome divulgado.