Assim como a antecessora, prefeito de Cacoal defende uso do medicamento
  
O prefeito de Cacoal, Adailton Fúria (PSD), resolveu adotar a ivermectina para tentar frear a pandemia de Covid-19 em sua cidade e tem divulgado nas redes sociais a distribuição do produto no Feirão do Produtor, espaço que reúne comerciantes de vários segmentos.
  
O mandatário cacoalense é um dos maiores críticos dos decretos estaduais que impõem medidas que afetam o comércio, ao restringir a circulação de pessoas. No mês de janeiro, o promotor de justiça Marcos Ranulfo Ferreira ameaçou processar Fúria, caso ele descumprisse as medidas do isolamento social na “Capital do Café” (LEMBRE AQUI).
  
Usada há décadas no Brasil como vermífugo, a ivermectina está no centro de uma polêmica no momento em que o país enfrenta uma acirrada polarização ideológica: o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) recomenda o uso contra o Coronavírus, enquanto seus adversários garantem que o medicamento só serve para combater vermes.
 
Prova de que toda a “treta” em torno da ivermectina é mesmo por razões políticas é o fato de que ela pode ser comprada sem receita nas farmácias e ingerida por quem acredita em sua eficácia. Mas, nem isso ajuda: nas redes sociais, “o tempo fecha” entre defensores e detratores da droga.
  
Apesar da desconfiança de alguns, a ivermectina é distribuída largamente em Cacoal desde a gestão da antecessora de Fúria no cargo: em julho do ano passado, a então prefeita Glaucione Rodrigues (MDB), também anunciava o produto nas redes sociais (VEJA NAS IMAGENS SECUNDÁRIAS). Antes de conseguir registrar seu nome para disputar a reeleição, ela acabou presa pela Polícia Federal, junto com o marido e outros prefeitos.
 
Na contramão do entusiasmo demonstrado pelo jovem líder político de Cacoal, o Instituto do Pulmão, que tem sede na cidade, publicou vídeo nas redes sociais criticando o chamado “tratamento precoce” contra a Covid-19. A entidade garante que a medida não tem efeito. CLIQUE ABAIXO e assista.
 
 Em breve vai ser possível comparar, em números, se a estratégia surte efeito, tomando com base os casos registrados em Cacoal e em cidades de mesmo porte que não adotaram a ivermectina, como Vilhena.