Sete pontos de cobrança estão em implantação, valores exatos ainda não foram divulgados
A localização e o valor das cobranças das praças de pedágio na BR-364 têm gerado debates entre motoristas e moradores do Estado. Com muito burburinho contra a taxa adicional no Estado, o mais bolsonarista do país, uma entrevista recente da concessionária revelou que foi justamente o governo do ídolo político rondoniense que fez a delimitação, estudo e aprovação dos pedágios em Rondônia.
Em esclarecimento recente nas redes sociais do site Pimenta Virtual, João Siqueira, responsável pelas Relações Institucionais da concessionária Nova 364, detalhou a origem do planejamento logístico da rodovia. De acordo com Siqueira, a definição de onde cada barreira de cobrança seria instalada não partiu de uma escolha arbitrária da empresa, mas sim de um projeto técnico estruturado pela gestão federal anterior.
“Esse projeto foi feito pelo governo federal, foi pelo antigo Ministério de Infraestrutura, do governo Bolsonaro. Então, a concessionária não tem esse poder de mudar o projeto ou de fazer qualquer coisa em relação a esse projeto. Esse projeto veio, ele foi licitado nessa base de referência de estudos (...) e através disso que o Ministério elabora onde vão ser as praças de pedágio, onde vão ser essas bases de serviço operacional. Então, a concessionária pegou esse projeto, avaliou o projeto, concebeu o projeto, a viabilidade econômica, participou e ganhou o projeto, então essa parte da concepção do projeto; ela é feita pelo governo federal”, explica João na entrevista. Veja o trecho CLICANDO AQUI.
O representante destacou que a escolha dos pontos estratégicos para o pedágio e para as bases de serviço operacional baseia-se em critérios técnicos de engenharia de tráfego, incluindo volume de tráfego, perfil da frota (análise da modalidade peso, categoria e quantidade de eixos dos veículos) e viabilidade econômica (estudos que garantem que o investimento de mais de R$ 10 bilhões em manutenção e duplicação seja sustentado pela arrecadação planejada).
Serão sete pontos de cobrança no formato Free Flow. O modelo permite que os veículos trafeguem sem paradas e a cobrança será feita por câmeras e sensores. O pagamento será feito via aplicativo ou pelo site. Os pedágios estão em construção e já em fase de testes. Ainda não é feita cobrança.
De acordo com a Nova 364, já foram investidos mais de R$ 360 milhões em diversas obras na rodovia, como pavimentação, sinalização, conservação, construção de 14 bases operacionais, atendimento ao usuário, inspeção, guincho, ambulâncias e expansão do sinal 4G no trecho.
DESCONTO PROGRESSIVO
Motoristas que utilizarem TAGs na BR-364 poderão ter descontos no pedágio eletrônico, o free flow, a partir do início de 2026. Ao longo dos 720 quilômetros concedidos entre Vilhena e Porto Velho, a Nova 364 aplicará o DUF (Desconto de Usuário Frequente), que permite redução progressiva da tarifa para veículos leves, podendo chegar a até 93,6%. Além disso, veículos de todas as categorias terão abatimento fixo de 5% a cada passagem.
O DUF é voltado a automóveis, caminhonetes e furgões que trafegam repetidamente pelo mesmo pórtico e no mesmo sentido dentro de um mesmo mês. Quanto maior a frequência de uso, menor será o valor pago pelo motorista, até que se atinja a tarifa mínima estabelecida para aquele ponto de cobrança. O desconto começa a valer na segunda viagem. A partir da 31ª passagem mensal, o motorista passa a pagar sempre a tarifa mínima naquele pórtico, valor que permanece inalterado até o fim do mês. No início do mês seguinte, o ciclo de descontos é reiniciado.
BAIXA TARIFA
Já o DBT (Desconto de Baixa Tarifa) garante redução imediata de 5%, desde a primeira passagem, em todas as passagens realizadas com TAG, independentemente da categoria do veículo. O benefício é automático e vale para os sete pórticos de cobrança instalados ao longo do trecho concedido.
ISENÇÃO
Motoristas que se deslocam diariamente entre Porto Velho e Candeias do Jamari não pagarão pedágio. Isso ocorre porque o pórtico mais próximo está instalado na entrada de Candeias para quem vem do interior do estado. Como o tráfego entre a capital e o município ocorre após esse ponto, quem circula apenas entre as duas cidades não passa pelo sistema de cobrança.
MANIFESTAÇÕES CONTRÁRIAS
Ainda que elaborado pelo governo Bolsonaro, o projeto recebeu duras críticas e manifestações contrárias dos principais líderes do PL, partido do ex-presidente, em Rondônia.
O senador Marcos Rogério (PL), presidente da Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado, tem criticado o atual modelo de concessão, classificando-o como "inviável" na forma atual. Ele defende a revisão do contrato para ampliar a extensão duplicada e reduzir o preço das tarifas, afirmando que a rodovia não pode ser uma "armadilha contratual" e que a sociedade não deve pagar antes de receber melhorias.
O senador Jaime Bagattoli (PL) solicitou diligências para avaliar os impactos da concessão e encaminhou demandas ao Ministério dos Transportes. Ele participou ativamente de debates em Vilhena e Ji-Paraná, onde foram levantadas críticas sobre os valores das tarifas e a falta de participação popular.
O deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL) participou de debates e audiências públicas da Comissão de Infraestrutura em Rondônia para discutir a cobrança antecipada de pedágio e os impactos para os moradores e produtores locais.
O VALOR
O valor do pedágio na BR-364 será de R$ 0,19 por quilômetro rodado, segundo a empresa responsável pela concessão. Esse valor é multiplicado por um número que varia de acordo com a quantidade de eixos do veículo e a distância percorrida entre os pontos de cobrança eletrônica. O resultado dessa conta é o valor final que o motorista vai pagar pelo pedágio. Para um carro de passeio de dois eixos, as estimativas dão conta de que o valor total a ser pago nos sete pedágios somados ficará por volta de R$ 130, para quem faça o trajeto completo, de Vilhena a Porto Velho.
Fotos
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 23 de Dezembro de 2025, às 10:44